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terça-feira, 8 de novembro de 2011

Bruce e os Independentes

“Nunca aceite um não como resposta e nunca pense que algo é impossível. Certo, na verdade nem todos podem conseguir isso, mas o importante é nunca arriscar sua integridade. Um conselho: divirta-se sempre. Faça o que deseja por paixão verdadeira e não apenas pelo dinheiro.”

Bruce Dickinson, vocalista da Melhor Banda do Mundo, em mensagem aos novos músicos que sonham com a fama e fortuna.

Acho que vale para os novos-escritores-ainda-não-publicados também, e hoje passando pela Feira e falando com o Tales até voltei a pensar em fazer o um pouco eterno livro em edição independente e lançar no ano que vem, até porque já estou escrevendo a segunda versão do segundo romance, então é como se já estivesse escrevendo o terceiro livro e o primeiro ainda não foi publicado. Quem sabe rolamos os dados e pagamos para ver até onde meu livrinho vai?

De qualquer forma, semana passada madruguei quase todos os dias (a exceção do trabalho na sexta e da aula no sábado) para escrever. Uma das melhores heranças de minha temporada em Taquari foi essa: levantar cedo, tomar chimas enquanto o sol nasce e trabalhar. Ainda temos que arrumar a maledita impressora para ler o texto no papel, mas o que importa é que a coisa está andando. Pelo menos semana passada andou. Da Feira tivemos importantes aquisições literárias, que vão desde Mario Benedetti e Juan Carlos Onetti até John Fante e Dashiell Hammett. Fora os módulos do Senad que tenho que estudar, e hoje ainda temos teleconferência às 14 e 30, e formatura no Mãe de Deus no começo do ano que vem.

Enquanto isso, milhares de carinhas estão correndo para escrever um romance até o fim do mês.

Então, pra eles e pra nós: get busy.

quarta-feira, 13 de julho de 2011

Dia Mundial do Rock

Depois de alguns dias com os cabos desplugados por aqui (leia-se: sem internet), no Dia Mundial do Rock, como a lista das preferidas dos famosos está meio levezinha, homenageamos os deuses do rock and roll com a melhor banda do universo, direto do mesmo ano em que aconteceu o Live Aid, de onde saiu o dia de hoje.

Em breve, leitores-fiéis e anônimos: e-mails respondidos, novas mensagens, posts & um pouco de literatura.

Up the irons.

domingo, 16 de maio de 2010

Albatroz

No dia em que o navegador Nicolai completou 60 anos, ele caminhou sorridente pelo convés de seu navio e desceu até a cabina onde descansava sua esposa Natasha. Chegando lá, constatou que ela não estava. Olhou em volta, contemplando o casco da embarcação e viu um livro com capa de couro, repleto de anotações feitas à caneta com uma caligrafia feminina. Esticando seus robustos braços, Nicolai começou a ler os rabiscos do pequeno livro, onde dizia “não posso mais esconder esse segredo de Nicolai. Devo contar a ele sobre Mike. Deus, perdoai-me por ter abandonado tão formidável pessoa. Estou no mar há três meses e não consigo imaginar mais minha vida sem ele. Não há um dia sequer em que eu não pense nele, no seu cheiro, no seu toque. A cada momento, minha angústia aumenta, pois não consigo me livrar da culpa de tê-lo deixado. Deus, dai-me forças para contar e faça meu marido entender que...”

Natasha entra na cabina. Nicolai dá um soco no livro e grita “Mike”, olhando para ela. Ela olha para o livro no colo do marinheiro e retorna o olhar, levantando as mãos e pedindo para Nicolai se acalmar. “Mike”, ele grita uma vez mais, levantando-se. “Não é o que você está pensando”, diz ela erguendo os braços e protegendo o rosto. Nicolai a pega em seus braços e a esbofeteia. Natasha grita para ele parar. Ele bate mais forte. Ao sair da cabina, sobe as escadas e caminha em direção ao convés, lá permanecendo até o anoitecer.

Segurando no corrimão da proa, Nicolai fita a linha do horizonte, o infinito do mar, respirando fundo a brisa. Passaria ali a noite inteira imóvel, sob o vento frio do Sul, de onde o navio retornava. Vez ou outra, baixava os olhos e escutava Natasha chorar lá embaixo, em sua cabina. Nenhum deles disse uma só palavra durante a noite que pareceu se esticar por toda a eternidade. O barulho dos suspiros contidos dele perdiam-se em meio às pequenas ondas que batiam no casco do barco. Oriundo de uma família de pescadores do norte da Sibéria, ele havia conhecido Natasha em uma de suas viagens a Bielorússia, terra natal dela. Filha única de um casal de mercadores, ela fugiu de casa aos 20 anos para viver com Nicolai, contra a vontade dos pais, que odiavam o marinheiro. E sempre confidenciava: havia apaixonado-se por ele por causa de seus “olhos verdes de um mar egípcio”. Ele então contava com 55 anos.

Ao amanhecer, o navegador verifica as amarras perto da popa e ouve o ranger da embarcação. Ele olha por sobre o ombro e seu rosto denuncia o erro: um furacão vindo do Leste se aproxima. “Impossível”, ele diz. “Impossível não ter previsto...”. Nicolai não completa a frase. A fúria de Deus invade o oceano. Vagalhões castigam o navio, que começa a sacudir. O vento arranca a vela, arrastando Nicolai pelo assoalho. Ele prende-se ao mastro, tentando alcançar a rede. A tempestade chega rápido, inundando o convés. As cartas de navegação, os condimentos e a bússola são espalhados pelo chão. Nicolai é arremessado para perto da escada, batendo em uma das bordas do casco, fraturando a perna. Ele joga seu corpo para trás, desabando pelos degraus até o corredor de acesso às cabinas. Gritando, põe a mão sobre a coxa direita, percebendo um talho de quase dez centímetros. Contrai a perna com a palma da mão e segue mancando para a cabina, tropeçando no baú perto da porta de entrada, que arromba com uma investida do cotovelo e ombro esquerdos. Natasha grita para que ele fique longe dela. Ofegante, ele diz que não vai machucá-la e avança em sua direção. Ela começa a gritar de forma histérica para ele não encostar nela. Nicolai diz que o navio está afundando. Ela se desvencilha dos braços dele e corre para a escotilha, localizada nos fundos da cabina. “Natasha”, ele diz, vendo-a abrir a escotilha e fazendo toneladas de água serem derramadas pela portinhola. Um grande solavanco quase vira a embarcação, lançando os corpos dos dois contra a parede. Natasha bate de cabeça. Nicolai se engasga com a água salgada, lutando para não se afogar.

Natasha consegue chegar ao convés. Ao olhar para o lado, vê as muralhas de água que continuam atingindo o barco, produzindo nele um lento rodopio. Ela é derrubada e arrastada pelo convés, junto com o mastro que acaba de cair. Levada até a popa, Natasha é jogada de uma borda a outra, conforme o navio vai oscilando.

Nicolai pula sobre o mastro inclinado dois metros acima da água, agarrando forte e se arrastando sobre ele, lutando contra o vento para chegar até Natasha. Ao chegar perto dela, quase encostando em sua mão, o barco sofre outro solavanco, atirando seu corpo para a outra extremidade. Nicolai se deixa cair na água do convés e seguir a correnteza estabelecida ali dentro rumo à popa. Natasha é jogada de volta, colidindo com o corpo do marinheiro, que fica preso na rede de pesca. Ao se desvencilhar, Nicolai vê Natasha dependurada no corrimão da borda, quase já no mar. Entre passos frenéticos e pulos imprecisos, ele a segura pelo braço no exato momento em que ela escorrega do corrimão. O navio treme. “Eu não vou soltar, querida”, diz o marinheiro sem fôlego. “Nicolai”, diz Natasha com o olhar triste. “Aguente firme. Segure meu braço”, grita ele. E então, como se o furacão fosse avisado, há uma breve pausa na tormenta. Natasha olha para o verde de um mar egípcio. “Eu te amo”, ela diz. E cai.

E ele viu almas perdidas sobre a água, olhando com pesar. O vento diminui até se esvair. O navio ainda flutua.


Ao chegar em um vilarejo costeiro, em uma das setecentas ilhas do arquipélago das Filipinas, Nicolai continua a caminhar por entre a rua estreita de pequenas casas. Ele acena para uma mulher velha, de pele rosada, vestindo uma espécie de touca e um avental desbotado. Ela o cumprimenta de volta. Ele se aproxima e pede para falar com Mike. Sem fazer perguntas, a velha pede para o marinheiro aguardar, entrando em sua casa. Ao voltar, a mulher traz consigo um menino de quatro anos. Nicolai olha fundo nos olhos do menino. Olhos verdes de um mar egípcio.




Nota: a narrativa foi inspirada nas melodias de Ghost of Navigator e o nome “Albatroz” foi retirado da música Rime of the Ancient Mariner do IRON MAIDEN. Segundo a lenda, no mar há um albatroz que acompanha as navegações mais ao Sul, trazendo boa sorte. Na viagem de volta ao Norte, o marinheiro matou o albatroz, trazendo consigo uma terrível maldição para o navio.

quarta-feira, 12 de maio de 2010

Mother Russia

No dia em que a proprietária da sede do Distantes Trovões on line e mãe deste que vos escreve está de aniver e foi comemorar conhecendo a outra Mãe, levanto cedo para escrever enquanto o dia nasce lá fora, os passarinhos cantam e a chuva continua.

Então já começo a enumerar a lista de coisas a serem feitas nos próximos 12 dias, antes que o telefone comece a tocar, a saber: rever a Quarta Temporada da série preferida deste blog, começar a leitura de O Livro dos Livros Perdidos de Stuart Kelly, escrever outro projeto para concorrer a uma bolsa – a luta continua –, ver Flight 666 do Iron “Gods” Maiden, seguir escrevendo o meu rebento e responder a carta da minha tchutchuka.

Mais tarde ouvirei pela primeira vez na íntegra o disco de jazz mais vendido de todos os tempos, uma trilha e tanto para dar a dica de leitura de hoje, os textos de meu comparsa Marcelo Martins.

Então para abrirmos os trabalhos, deixo aqui uma singela homenagem a minha mãe e ao meu camarada, guitarrista e colega musical de longa data Giuliano, Mother Russia tocada pela melhor banda do mundo.