Fui ontem ver os alemães do Pablo Held Trio (tem um show extra hoje, se correr ainda dá tempo) e no fim comprei seu belo e introspectivo Music, das mãos do próprio Pablo. Bem bacana o show. Antes de começar, ele avisa que nunca sabem que músicas vão tocar quando sobem no palco, apenas deixam a coisa fluir, e parece que estão lendo a mente um do outro, todos bem concentrados. Depois do fim do show, fomos lá bater um papinho.
Perguntei a ele se o trio apenas improvisava ou se a uma
hora de música ininterrupta eram as músicas misturadas, e ele disse que um
pouco dos dois. Ele começou na bateria aos 5 e no piano aos 10. Aos 25, já é
uma das sensações do jazz europeu. Perguntei se ele nunca tinha pensado em
desistir, ele disse que sim, durante a adolescência, até que seu pai perguntou “por
que acha que estou apoiando e investindo em você, com todas essas aulas?” e
então ele decidiu se dedicar a valer e ser profissional. Fiz a mesma pergunta
ao batera Jonas Burgwinkel, de 30 anos, e ele disse que também pensou em desistir,
quando as coisas pareciam não ir para frente. Perguntei se as pessoas
incentivavam ele, que respondeu um irônico “mais ou menos”, e que só quando
começou a ganhar algum dinheiro com a música começaram a respeitá-lo mais
(afinal, ser artista, músico, escritor ou qualquer desses bichos-grilo, não é
fácil. Nem aqui nem na Alemanha). E disse que podia ficar sentado no sofá, mas
se em vez disso estivesse praticando, sentia que estava fazendo alguma coisa.
Só essas duas falas já valeram a noite.
E foi pensando neles que hoje, que não vamos ter reunião de
equipe e posso chegar mais tarde, enquanto me preparo para encarar o
(geralmente) dia mais corrido da Red Cross e, antes disso, me aventurar na
chuva que não para de cair na cidade-sorriso, esquento o chimas e vamos a
escrita. Faz uma semana que o escritório da Distant Thunders Administration
está maravilhosamente perfumado com o Haiti Coffee, que mandei passar semana
passada e ainda nem estreei – quem sabe hoje?
Ontem soube que tem outro concurso para publicar originais
inéditos, acho que semana que vem sai a primeira leva da Funarte, e Mr.
Vizinczey acaba de me dizer que, desde que ele tem um prazo para escrever, ele
tem que escrever.
Então, ao trabalho.
