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domingo, 19 de maio de 2013

Jackie, Dashiell e Sul de Minas


Enquanto passamos pelo glorioso outono, que rima com jazz, café e literatura noir, ouço os explosivos Jackie McLean e Donald Byrd detonando It’s you or no one, recomeço a ler o clássico maior de Dashiell Hammett e tomo um pretinho básico para celebrar a vida.

E vamos relendo e reescrevendo, copiando, colando, editando, cortando e modificando os rumos (estou na cena do assalto) do capítulo final da história de Carol, enquanto novidades vêm aí (sim, este é um blog de algumas promessas e suspenses, so what?).

quarta-feira, 1 de maio de 2013

Começando Maio


Começando Maio, quando pretendo terminar a terceira e última parte da história de Carol (até porque acho que vou cobrir as férias da minha colega no mês que vem, e meu tempo vai diminuir consideravelmente), a dica cultural do Dia do Trabalhador  é este vídeo muito fera, em que o artista fala a diferença entre o fracasso de um hobby ou de algo que você quer fazer pelo resto da vida.

Como a escrita é uma das coisas que quero fazer pelo resto da vida, vou rever o vídeo agora.

Enquanto isso, aguarde (boas) novidades, leitores do Distantes Trovões On Line.

(Nesta semana, ao som de Donald Byrd e esta pérola chamada Fuego. Ah, e reserve um tempinho para ver este megashow do mestre Count Basie.)

sábado, 20 de abril de 2013

1959 e a Regra das 10.00 horas


Descobri hoje o documentário muito fera 1959 - O ano que mudou o jazz, contando a história dos seminais Kind of Blue (Miles Davis), Mingus Ah Um (Charles Mingus), Time Out (Dave Brubeck) e The Shape of Jazz to Come (Ornette Coleman). Repare em 38:46, sobre a política de segregação racial endossada pelo governador Faubus e o protesto de Mingus na música Fables of Faubus, assim como nos gritos de “Yes we can” – “Barack Obama talvez não saiba, mas o jazz foi uma das razões pelas quais ele foi eleito”. E repare também no minuto 51: 12 – “A urgência desesperada de tocar de Ornette Coleman refletia a paranoia nuclear da Guerra Fria”.

E se você ainda não viu, acompanhe o personagem saindo para passear em uma cidade cheia de livros neste belo vídeo de aniversário da 4th Estate Books.

Um mês de outono e a história de Carol ainda aguarda eu escrever seu terceiro e último capítulo. Depois de uns dias sem computer, e enquanto leio sobre a regra das 10.000 horas de prática para se atingir a excelência de sua arte em Outliers - Fora de Série, vamos ao trabalho.

segunda-feira, 4 de março de 2013

Consultor fala em Março


Encontrei ontem o Adriano D' Avila, com quem já estudei Tai Chi Chuan, e ele me perguntou o que eu andava fazendo. Respondi que escrevendo e trabalhando com dependência química. Ele disse, que interessante você falar isso, porque também estou trabalhando com dependência química, fazendo um serviço voluntário ensinando Tai Chi e filosofia oriental em comunidades terapêuticas. Concordamos que nada é por acaso, depois de anos a gente se encontrar e falar disso, ambos no mesmo métier, e sugeri de ele ir até a Cruz Vermelha e quem sabe fazer um voluntariado lá. Ele me sugeriu de eu falar sobre isso aqui, já que tenho um blog. Eu, que acredito em sinais, achei que aquilo fosse um sinal e vim para casa pensando nisso. Nunca falei sobre meu trabalho com dependência química aqui no Distantes Trovões, porque teoricamente este é um blog sobre literatura, meus escritos e egotrips com gostinho de literatura, mas pensei: se tenho duas profissões, por que não falar delas aqui? Afinal, se você escrever “Consultor em Dependência Química” no google, dificilmente vai ser direcionado para cá. Então lá vai:


Sou voluntário da Cruz Vermelha há mais de dois anos, no Ambulatório (para álcool e outras drogas, e que teoricamente é um Caps AD - não somos ainda, embora a rede pense que sim). Atualmente coordeno dois grupos lá, o grupo aberto na quarta e o grupo de preparação de fim-de-semana na sexta, ambos às 10 e meia da manhã (nos moldes dos grupos de prevenção à recaída). Já trabalhava voluntariamente com dependência química há alguns anos (este ano completei 7 anos na área), fiz o Curso de Formação de Consultor em Dependência Química do Hospital Mãe de Deus, a primeira e única turma que teve, pelo menos por enquanto (antes da UDQ se mudar), coordenados pelo Arnaldo Broll Woitowitz e pela Alessandra Mendes Calixto (que me deixaram com saudades das aulas e de seus ensinamentos), a mesma turma que formou a Gesiele Marcondes, e onde tivemos aulas com o pessoal do Cefi também.

Que mais?

Também fiz o curso Prevenção ao uso indevido de drogas – Capacitação para Conselheiros e Lideranças Comunitárias, do Senad (ou Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas, para os não-iniciados), em conjunto com a Universidade Federal de Santa Catarina. Também trabalhei na Clínica Santa Terezinha, em Taquari, e trabalhei (e trabalho, caso você precise) como A. T. (Acompanhante Terapêutico, caso você não esteja familiarizado com a sigla). Se quiser contratar meus serviços e ver preços, deixe um recado aqui ou mande um e-mail para 
distantestrovoes@gmail.com, tcherto?

[Ah, também tenho graduação em Comunicação Social - Publicidade e Propaganda, pela PUCRS - mas não espalha, tá? :)]


Neste mês começamos o glorioso Outono, redescobri o clássico Mingus Ah Um, de um dos maiores mestres do baixo do jazz Charles Mingus, agora que estou me preparando para ler sua autobiografia, e estou até – pasmem – dando umas caminhadas a fim de começar a correr, inspirados por este belo texto sobre por que os escritores devem correr, mas sobre isso falo mais em próximos posts.



sábado, 22 de dezembro de 2012

Escrever é um ato de fé


Bem, já que o mundo não acabou, vou escrever.
Escrever é um ato de fé, e preciso praticar até que a fé se torne convicção.
Preciso do trabalho socialmente necessário, ou seja, todas as condições necessárias (estar mais ou menos bem alimentado, ter um teclado, uma caneta e um papel, uma porta fechada, ninguém interrompendo, nenhum telefone tocando, quem sabe uma madrugada como agora e quem sabe o jazz) para simplesmente sentar e escrever, sem outras preocupações. Talvez escreva com Art Farmer e Gigi Gryce e me lembre que até as distrações, até o café que tomo, até – principalmente – a contemplação, que os pobres de espírito acham que é fazer nada, tudo isso faz parte do processo de criação, e tudo pode desde que ao fim de tantas ideias pairando no ar se tenha um resultado material, um texto. Simplesmente escrever, que também é uma forma de viver, segundo Flaubert.
A materialidade do que um artista cria é o resultado de todas as suas vivências, o ambiente e a família no qual ele foi criado, os traumas, as alegrias, as decepções, as lutas, os sonhos. O amor, é claro. Por alguém ou por algo. Pela sua arte, pelo fazer, pelo realizar. Esqueça a ideia de ensaio, disse Stephen King. É simplesmente fazer aquilo que você ama fazer, aquilo no qual você é bom (seja aquilo o que for) até seus dedos quebrarem e seus olhos caírem, e cada performance é única. Você dá seu melhor, mesmo que o melhor não seja o melhor, mas seu possível. Seu melhor pode ser uma frase, e uma frase ruim. Mas ainda assim, ela existe, é real. É material. Lembro que a primeira vez que um projeto para um livro de contos meu foi recusado, mais de dez anos atrás, um dos carinhas da banca atacou meu argumento de que literatura não é feita de ideias, mas sim de palavras. Dizia ele (tenho as cartas de recusa até hoje) que um cardápio de restaurante e uma bula de remédio são feitos de palavras, e a literatura é que é feita de ideias. Ao longo dos anos, sempre lembrei dele como um mané, que recusou o projeto e nem entendeu o que eu quis dizer. Literatura é feita de palavras, não de ideias, assim como a música é feita de notas e de compassos, não de ideias. Sim, temos uma ideia para uma história, mas temos que juntar fumaça e transformar aquele monte de ar em palavras. Do contrário não temos um texto. Do contrário, qualquer um – qualquer um mesmo – que tivesse uma simples ideia para um livro seria capaz de escrever um livro; qualquer um que conseguisse assobiar uma melodia seria capaz de realmente fazer um arranjo e tocar os instrumentos, criando assim uma música, com corpo. Mas não é assim que funciona. Precisamos da materialidade, do produto final, quantificado em 3 ou 3000 notas; em 3 ou 3000 palavras, quem sabe 300.000, porque a gente só lê o resultado final de um livro. Não lê os rascunhos, as páginas jogadas fora, as frases deletadas, até as ideias rabiscadas no bloquinho. E sem esse monte anônimo, que jamais veremos, o produto final não seria possível.
Deixo aqui um abraço afetuoso para meu bom amigo René Cabrales, cujo agradável almoço de ontem me fez levantar para escrever de madrugada hoje (as madrugadas são a prime time para escrever e ouvir música com fones de ouvido, sonhar, viajar. Ler, escutar e observar também, porque tudo, como ele diz, é income, até as conversas que a gente ouve na mesa ao lado. Tudo é material para o moinho).
Enfim, Natal é hoje, Ano Novo é hoje, Março é hoje, Segunda-feira é hoje. Outono é hoje. Já que o mundo não acabou, hoje vou escrever.
 

sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

E-Distant Thunders


Não espalha por aí, mas é possível que os contos do Distantes Trovões se tornem um e-book em breve, e por uma editora porreta.

Aguarde novidades.

(Hoje ao som dos homens de honra de Jeremy Pelt)

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Sobre a inveja e as potencialidades reprimidas


Eu não sou alguém invejoso.

Todavia tenho muitos outros defeitos.

Aconteceu-me uma coisa estranha nos últimos anos.

Um boato sobre mim, um boato tão grande que me paralisou como ser humano e também economicamente.

Isto me permitiu entender que o sentimento de inveja é onipresente e fonte da maior parte da discórdia nesta Terra, e pode ser, talvez, a Terceira Guerra Mundial.

E com base em meus sentimentos passei a me interrogar sobre o que é inveja.

Eu compreendi que pode ser simplesmente inveja, o potencial de uma pessoa mesmo que não seja necessariamente conquistas recentes: podemos invejar o seu bom humor, o seu olhar sobre o mundo e especialmente a sua maneira especial de ter este olhar, mesmo sem perceber.

Ali está também sua fraqueza, ela não sabe que é invejada, ela não percebe os golpes da espada.

Ela vê muito potencial e realizações em outras pessoas e não suspeita que dela parte uma inveja castradora e maledicente.

Como tenho que transformar chumbo em ouro, eu tento perceber o meu potencial latente e alcançar grandes coisas, às vezes, eu não tenho como suspeitar de mim, da minha inveja em relação às realizações das outras pessoas.

Podem ser coisas simples, apenas arrumar a sua casa com amor.

Com isso, dirijo-me a todas essas belas pessoas que gostam de mim e estão paralisadas economicamente e socialmente: fazer o quê?

Pois é: a grande maioria dos desempregados que mantenho contato são pessoas com enormes potencialidades reprimidas.

Desemprego existe é talvez exprimir-se é trabalhar no sentido que cada um tem a sua maneira de assim fazer uma atividade; e que trabalho como nós o conhecemos não é a única maneira de existir.

Tudo que você faz de maneira benévola, mesmo voluntariamente, mesmo para ti, podes colocá-lo em teu ‘curriculum vitae’.

Tu és uma micro-empresa.
 
(tradução livre do francês – comentário, feito em francês, de um ‘anônimo’ em um blog em língua espanhola escrito dia 3.10.2012, às 11:39 a.m. Obrigado, Augusto de Amorim, pela colaboração.)

 
Enquanto isso e as mudanças se demoram neste outubro de revoluções, penso em Joshua e Oleo, essa última gravada ali pelo meio do Relaxin' with the Miles Davis Quintet, com a certeza de que a vida deve seguir em frente.

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Depois do Pablo Held Trio



Fui ontem ver os alemães do Pablo Held Trio (tem um show extra hoje, se correr ainda dá tempo) e no fim comprei seu belo e introspectivo Music, das mãos do próprio Pablo. Bem bacana o show. Antes de começar, ele avisa que nunca sabem que músicas vão tocar quando sobem no palco, apenas deixam a coisa fluir, e parece que estão lendo a mente um do outro, todos bem concentrados. Depois do fim do show, fomos lá bater um papinho.

Perguntei a ele se o trio apenas improvisava ou se a uma hora de música ininterrupta eram as músicas misturadas, e ele disse que um pouco dos dois. Ele começou na bateria aos 5 e no piano aos 10. Aos 25, já é uma das sensações do jazz europeu. Perguntei se ele nunca tinha pensado em desistir, ele disse que sim, durante a adolescência, até que seu pai perguntou “por que acha que estou apoiando e investindo em você, com todas essas aulas?” e então ele decidiu se dedicar a valer e ser profissional. Fiz a mesma pergunta ao batera Jonas Burgwinkel, de 30 anos, e ele disse que também pensou em desistir, quando as coisas pareciam não ir para frente. Perguntei se as pessoas incentivavam ele, que respondeu um irônico “mais ou menos”, e que só quando começou a ganhar algum dinheiro com a música começaram a respeitá-lo mais (afinal, ser artista, músico, escritor ou qualquer desses bichos-grilo, não é fácil. Nem aqui nem na Alemanha). E disse que podia ficar sentado no sofá, mas se em vez disso estivesse praticando, sentia que estava fazendo alguma coisa 
Só essas duas falas já valeram a noite.
E foi pensando neles que hoje, que não vamos ter reunião de equipe e posso chegar mais tarde, enquanto me preparo para encarar o (geralmente) dia mais corrido da Red Cross e, antes disso, me aventurar na chuva que não para de cair na cidade-sorriso, esquento o chimas e vamos a escrita. Faz uma semana que o escritório da Distant Thunders Administration está maravilhosamente perfumado com o Haiti Coffee, que mandei passar semana passada e ainda nem estreei – quem sabe hoje?
Ontem soube que tem outro concurso para publicar originais inéditos, acho que semana que vem sai a primeira leva da Funarte, e Mr. Vizinczey acaba de me dizer que, desde que ele tem um prazo para escrever, ele tem que escrever.
Então, ao trabalho.

quinta-feira, 30 de agosto de 2012

Cony, Corridas, Preparação e Mozart

Você acredita em inspiração e intuição?
Em intuição, sim; inspiração, não. A intuição é o sexto sentido, é que nos indica que estamos no caminho certo quando duvidamos de nós mesmos, nos dá confiança. A intuição existe. Sou intuitivo, acho que todo mundo tem uma dose maior ou menor de intuição. Sou um intuitivo mediano. Mas não acredito em inspiração de jeito nenhum.
Mas, quando a coisa não avança, você credita esse fato a quê?
À preguiça. Não sou mais jovem e já tenho uma estrada percorrida que dá uma certa fadiga. Não espero nada da inspiração. Não há inspiração. Por exemplo, para escrever as crônicas para a Folha de S. Paulo, sento ao computador, escrevo o cabeçalho, endereço ao editor e entro na crônica propriamente dita. Essa crônica é publicada na segunda página, junto com outras duas. Uma vem de São Paulo, a outra de Brasília e a minha, do Rio. Quando acabo de escrever o cabeçalho, paro e penso: e agora? E tem o tempo para entregar. Às vezes solto uma palavra sem mais nem menos, e assim uma palavra acaba puxando a outra e nasce a crônica.

Carlos Heitor Cony, em entrevista.

Descobri este duo de sax tenores muito fera chamado Sketchbook, de Dave O’Higgins e Eric Alexander, e também hoje ouvi sobre preparação, pode ser para as situações da vida, mas também vale para buscar a excelência de sua arte, seja ela qual for. Também tenho pensado no romancista e maratonista Haruki Murakami, que em seu belo Do que falo quando eu falo de corrida disse “as três principais qualidades que um romancista deve ter são: talento, concentração e perseverança”. Li hoje um trecho da vida de Mozart, que abandonou os brinquedos tão logo descobriu o que era música, ainda no começo da infância, e se pôs a trabalhar sem parar. Talento a natureza dá para alguns, mas concentração, foco e perseverança, tem que garimpar, e isso muitas vezes significa quebrar as pedras da preguiça e da procrastinação, assim como dizer não às outras milhares de distrações, diariamente, em um trabalho que deve ser de colocar um tijolinho todo dia, a fim de construir nosso sonhado muro, e na verdade esse muro não tem fim. O tempo para literatura aqui no escritório da Distant Thunders Co. anda cada vez mais escasso, e a única forma de combater isso é fazendo o possível, desde que o possível seja feito agora.
Sente e escreva. Agora. E depois continue escrevendo.
Faça o mesmo amanhã.
E depois de amanhã.
E então, sente e escreva. Leia, leia e leia um pouco mais. Agora.
Meu deus, como é difícil escrever.
Não ouça o canto das sereias, disse meu bom amigo e fotógrafo de mão cheia René Cabrales.
Sim, vou continuar tentando.
 

sexta-feira, 17 de agosto de 2012

Jazz Message #2

Coloco Hank Mobley para tirar a ferrugem da escrita e me fazer sonhar que o frio já voltou, afinal estamos na cidade em que acontecem as quatro estações do ano no mesmo dia. Se quiser conseguir o que os outros não conseguiram, terá que fazer o que os outros não fizeram, alguém disse (essas ideias são mais aprofundadas aqui neste texto in english). Falaram em determinação, em não perder horas na internet em vez de simplesmente escrever. Pensei em mandar o um pouco eterno livro para o concurso do Sesc, depois que soube que E o Vento Levou foi recusado 38 vezes (aliás, descobri 10 livros famosos que foram recusados, e várias vezes). Novas revoluções se aproximam, enquanto vou tateando o texto. Escrever é como tocar um instrumento musical, precisa praticar, senão a coisa vai para o espaço. E ler, é claro. Tenho que retomar as leituras. Foco.

Talvez um café italiano para dar um clima na friday night. Talvez o jazz. Talvez, quem sabe, agora.

quinta-feira, 12 de julho de 2012

Projeto, Releitura, Impasse & Tolstoi

Depois de ter quebrado a cabeça na madrugada passada, e quebrar mais um pouco na tarde de inverno de hoje, tentando redigir objetivos e justificativas para o projeto da bolsa para tentar elaborar, concluir e colocar no mapa a história de Carol, neste blog errante de muitos acessos e poucos comentários, no intervalo para o chimarrão, deixo algumas dicas culturais. Não do que está acontecendo na cidade, que para isso temos outros blogs mais informativos, mas do que está acontecendo no escritório da Distant Thunders Administration no momento.

Em um dos mandamentos do Vizinczey, ali na resenha do post abaixo, ele falava para reler nossos livros favoritos continuamente, a fim de estudá-los e realmente compreendê-los. Pois que depois de dez anos comecei a reler meu clássico O Impasse. Li quando era adolescente, achei maravilhoso, e em 2002 li de novo, com a certeza de a narrativa ser mesmo muito boa. Vejo que com o passar dos anos minha admiração pelo texto não diminuiu. Também está na lista das releituras outro clássico, desta vez de Tolstoi, também lido há dez anos. Esta semana chega o Do que eu falo quando falo de corrida, e resolvi também reler Veríssimo, que também descobri em fins da adolescência, e foi a voz que me mostrou que a literatura podia ser cool.

Mas se você acessa este blog em busca de links de jazz, aqui vão as duas trilhas (por enquanto) desta segunda metade do ano, primeiro Chet Baker, e depois Cannonball Adderley, ao vivo em Nova York.

A cuia ronca, hora de retomar o trabalho.

sexta-feira, 18 de maio de 2012

Passando por Maio

It is impossible to discourage the real writers – they don’t give a damn what you say, they’re going to write.
Sinclair Lewis

Desde que li no blog do Vizinczey, sobre quem vou fazer uma resenha em breve, que você escreve em seu blog/facebook/etc., ou escreve seus livros, escolhi a segunda opção. Logo, perdi um pouco da urgência de postar coisa nova. Mesmo que este blog tenha ganhado alguns leitores na Espanha, depois que a Rosa Montero deu a dica no twitter, em passada por Lisboa, e – talvez eles suspeitem de alguma conspiração, vai saber – leitores na Russia. Alguns do Brasil, claro, mas jamais – jamais – deixam suas pegadas por aqui. Então para que se importar?

Mas decidi movimentar um pouquinho este sítio, nem que seja para dar algumas dicas musicais de Maio (até porque amanhã vamos ver o Perna tocar. Falando em guitarra, você tem que ouvir o Govan. Ou voltando ao jazz, recomendo esta pérola da composição de Wayne Shorter. E o nascimento do cool de Miles Davis. Aliás, foi vendo este trecho de sua biografia, que descobri Walkin, outra pérola, que tem a música Blue 'n' Boogie, que me fez perder horas preciosas que poderiam - e deveriam - ter sido dedicadas a literatura, sinal que não temos mais tempo a perder, e preciso ouvir menos música e escrever mais. Quer dizer, de alguma coisa vamos ter que abrir mão. Sempre. Do contrário, tenho certeza: teremos menos livros escritos no mundo.

Sigo trabalhando na segunda versão da história de Carol. De repente, qualquer hora, poste um trecho por aqui. Enquanto isso... aguarde novidades.

domingo, 22 de abril de 2012

A nova música do Rush e um pouco de Miles

Descobri agora.

A nova música do Rush, Headlong Flight.

O disco novo, Clockwork Angels, sai dia 12 de junho.

Como disse o baterista e professor André Gonzalez, quando eu tiver 60 anos espero ainda ter essa energia.

Sem esquecer a trilha desta segunda metade de abril, Miles ao vivo, com Herbie Hancock e a lenda Tony Williams (então com 19 anos) na bateria. Com uma das minhas preferidas, o mega-clássico Joshua.

Play it loud.

segunda-feira, 26 de março de 2012

Ornette Coleman & Trabalho

O gosto pela escrita cresce à medida que se escreve.
Erasmo de Rotterdam

O escritor é um homem que mais do que qualquer outro tem dificuldade para escrever.
Thomas Mann

Ouvi ontem pela primeira vez o endiabrado Ornette Coleman, considerado um charlatão por alguns e um gênio por outros. Um rebelde do jazz, que quis pensar fora da caixa, e fez história com aquilo que passou a se chamar Avant-garde jazz, que - mesmo não sendo para qualquer ouvido - ganhou muitos seguidores, e ainda está tocando regularmente, com 82 aninhos.

Segunda semana do glorioso outono, e por isso mesmo um convite para a AÇÃO. Ontem no troca-troca de livros, trouxe A Better Way To Live do Mandino, que li metade na maravilha da madrugada silenciosa passada (pena que nem sempre dá pra fazer isso. As madrugadas foram feitas para a literatura). Tomo uma erva-nativa ecológica - e depois vou estrear café novo - enquanto o trabalho engrena, e temos bastante trabalho. Para este exato momento. Li uns trechos do Surdo Mundo, aqui ao lado do monitor, que me colocaram óleo nas engrenagens cerebrais, aquelas capacitadas a dar ritmo e fluência a um texto, e temos que consertar o diálogo entre Carol e o velho do truque da balinha (como é difícil escrever e soar natural), e então concluir a segunda versão da primeira de três partes de um dia muito longo na vida de alguém.

Vamos que vamos.

sábado, 3 de março de 2012

Leituras em março & new jazz

Enquanto o minuano vem chegando devagarinho e provo novos cafés, começamos o mês em que tem início o glorioso outono, e hoje estreei o presente que ganhei com duas joias do new jazz: os bem interessantes Matthew Halsall e Austin Peralta. Mas tenho que deixar o som bem baixinho, pois já não bastava os livros que tinha na lista de leitura dos próximos meses, este março vem chegando com importantes aquisições literárias. Falando em jazz, temos na fita a biografia de Charles Mingus e, de volta à literatura, a biografia de Clarice. Ganhei hoje também mais um Llosa, e vou reler o Robôs, Bombas e Mutantes, que li quando tinha dez anos, e um dos livros da série O Executor, que sempre namorei na época que a revista do círculo do livro povoava minhas fantasias infantis, que foram o prenúncio da literatura que viria mais tarde. Tenho uma dívida eterna com as histórias de aventura, e tenho certeza que não escreveria hoje, e sobretudo não estaria escrevendo em um começo de madrugada de sábado, se não fossem aquelas histórias. Aliás, como lembrou Assis Brasil, nos idos de 99, no primeiro dia de oficina, quando eu disse que gostava de escrever aventura, as duas primeiras histórias do mundo ocidental são aventuras.

Mas isso tudo depois de terminar Rimas da Vida e da Morte, que está me fazendo pensar em uma voz mais sagaz para recontar a história de Carol, que aliás faz dias que não pego. E vou aproveitar para pesquisar no clássico acadêmico Aspectos do Romance, outro presente. Aquecendo os motores para terça, quando começo a nova oficina do Diego.

Enfim, muito trabalho pela frente.

E isso me deixa feliz.

domingo, 19 de fevereiro de 2012

Turrentine e a Chuva

Chove lá fora. Para quem detesta verão e carnaval (like me), os trovões de Xangô vêm anunciar novos começos, pintados com lindos relâmpagos que transformam a noite em dia, e a esperança de baixar a temperatura e conceder um alívio à Forno Alegre. A trilha da semana, porque o jazz me faz sonhar com o outono, é Stanley Turrentine, que descobri recentemente, e me faz sentir cheiro de café no ar, visualizar uma cafeteira italiana, daquelas que o Bill gostava de passar, e escrever. Andei pintando um pouco mais o rosto de Naomi hoje, e também me alimentado com o belo Gracias por El Fuego, que tem me feito pensar.

A chuva diminui. A esperança fica. Novos começos nos aguardam, enquanto a semana engatinha.

Antes de sair, entretanto, não esqueça de visitar a livraria à noite.

sábado, 11 de fevereiro de 2012

Pratica diária com Clifford Brown

Agora que vou ter mais uns dias de folga aqui no escritório da Distant Thunders Administration, e consegui hoje retomar a história de Carol, criei um arquivo com o nome de Contagem Diária de Palavras (hoje consegui 224). Anne Lammot falava em escrever 300 palavras por dia, todos os dias. John Braine falava em 350, Stephen King em 1000. Não importa, o lance é praticar, e praticar hoje, que afinal é o único dia que temos. Para celebrar, gravei outro dos cds em mp3 que o Jazzman me deu de presente, e ouvi hoje pela primeira vez o muito fera Clifford Brown, joia raríssima como só os grandes conseguem ser. Mas é claro: ele praticava bastante, e esse é o segredo da destreza em qualquer arte.

Tenho que colocar a leitura em dia, e temos mais o rolar de dados da próxima semana. Mas enquanto isso, celebremos a vida com o clássico atemporal Cherokee.

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Palavra por Palavra

No fim de Oficina de Escritores há uma lista de leitura sobre livros falando sobre o ofício de escrever. Entre eles, um chamado Bird by Bird, que fala sobre as preocupações em ter confiança no difícil processo de produção de um texto, e parecido com “um programa de doze passos para a recuperação da auto-estima orientado por uma espécie de irmã mais velha que se levanta no meio da reunião e anuncia com voz forte ‘meu nome é Anne Lamott e sou uma escritora assustada.’ O livro revela como avançar – e continuar avançando – diante da dúvida, do autodesprezo, do pânico, da fúria competitiva, do desejo de fugir, da incapacidade de trabalhar, da convicção de simplesmente não ser capaz de escrever.” Li isso e pensei que não tinha como um livro desses ser ruim.

Pois que depois de terminar os dois cursos de formação neste mês (te mete!), e sabendo que o livro fora traduzido e editado por aqui, comecei a ler Palavra por Palavra, um saboroso passeio pelas angústias da criação. Tem algumas pérolas, tais como precisarmos escrever três páginas ruins de um esboço ruim para na quarta página o texto realmente começar a fluir. Anne diz que não existe fórmula mágica, a gente tem que sentar na cadeira (onde o processo realmente começa) e disciplinar o inconsciente para produzir em determinados horários, seja às seis da manhã ou às dez da noite. Ela assegura que a grande recompensa é a escrita em si e não a publicação. Mesmo quando seus primeiros livros ganharam edição a insegurança não diminuiu, e só no quarto livro começou a ganhar algum dinheiro – antes disso, era apenas uma escritora morta de fome. Escrever foi tudo o que restou à menina cheia de complexos e excluída desde sempre, que se considerava uma inútil em tudo, mas que herdou a paixão e a disciplina do pai, também escritor e leitor diuturno. Tornar-se escritora foi sua única saída, e sua redenção. Ela também fica irritada quando o telefone toca e está trabalhando (que bom que não sou só eu), mesmo que o trabalho no momento seja unicamente observar a tela em branco.

E estou recém no começo do livro.

Enquanto isso, temos a vida seguindo em frente e aquele gostinho de estar fazendo alguma coisa por ela em uma segunda-feira de manhã. Hoje com Lester e Oscar, que me fazem sonhar que este calor horrendo já se foi e hoje está um lindo dia de outono.

terça-feira, 25 de outubro de 2011

Cannon e os Novos Começos

“O dia para mudar é hoje”, não é mesmo? Faz umas duas horas que escrevi a primeira página da nova versão da minha novela, e se eu mantiver a disciplina e a perseverança bons ares literários me aguardam. Descobri uma pérola do mestre Cannonball, estou retomando os estudos noturnos do Senad, e logo mais vou reservar um tempinho para ler o último conto do Marcelo.

Lá fora chove.

E hoje estamos bem.

terça-feira, 4 de outubro de 2011

De volta ao caderno

Enquanto ouço Mobley, na tarde de terça de volta à cidade-sorriso na minha semana de folga, e vejo minimizadas no monitor as aulas que comecei a estudar para a prova de sábado, em uma rara hora que consigo sentar aqui para escrever (resistir é preciso), entre a primeira e a segunda xícara de café, antevejo as páginas que consegui escrever de volta ao caderno nos minutos finais pós jornada de trabalho em meu quarto na City of Taquari, a espera de serem jogadas em meu computer, trabalhar e retrabalhar o texto, e penso nos comentários da Mademosoille de ontem, e vejo como ando escrevendo períodos longos no texto, estamos na oitava linha do word e ainda não coloquei sequer um ponto no texto, mas e daí, fluxos de consciência são um barato, ainda mais quando a gente vai solando pelas palavras, e sorrio agradecido à Providence pelo que minha vida se tornou, em plena terça de tarde, os indicadores do Blogger mostram que tenho leitores nos Estados Unidos, Russia, Alemanha e na França, veja você, imagina comentários em cirílico aqui, bem que podia, mas o mais importante é continuar escrevendo, lendo, estudando & acreditando, enquando a primavera se faz de outono, e que bom que é assim, pausa para respirar enquanto Kelly sola o piano e termino a segunda xícara de café, desta vez com chantilly e swingo junto com Blakey, life’s good, e nosso amor está aqui para ficar.