Acabo de me inscrever no Nanowrimo. Sim, a partir de 1 de
novembro terei (teremos, são vários ao redor do mundo) um mês para escrever um
romance de 50.000 palavras. Hoje, portanto, é um dia histórico. Claro que
pensei em desculpas do tipo “não vai dar tempo/não vou conseguir escrever as
50.000 palavras”, mas não tenho nada a perder, não é mesmo? Aliás, em dezembro
teremos algumas respostas literárias, de um concurso e de uma editora, e não
imagino melhor forma de esperar do que escrevendo.
Sobre o que vai ser meu romance, provisoriamente chamado de
Livro Novo? Não sei. Um narrador a procura de uma história, e espero encontrá-la
antes do fim. Hoje reli uns trechos do megaclássico Oficina de Escritores onde
diz que não tem problema a gente não saber nada da história nem dos personagens,
desde que a gente comece a escrever agora mesmo – e a história vai contar a si
mesma. Parece uma doideira, mas tem um monte de gente que faz isso. E daqui a
duas semanas, e por todo mês de novembro (outono no hemisfério norte; bem que
podia ser outono aqui também, para dar um clima), milhares de pessoas ao redor
do mundo estarão correndo a mesma corrida que eu, tomando muito café e dormindo
pouco, atucanadíssimos para cruzar a linha de chegada das 50.000 palavras até a
meia-noite de 30 de novembro. Combinei com alguns malucos de fazerem essa
travessia, e espero que eles não me deixem na mão. Sei que a ideia é
quantidade, não qualidade, e que a esmagadora maioria dos livros escritos são
ruins. Mas não importa. Deve ser um exercício e tanto, especialmente porque nos
obriga a exercitar a disciplina, a perseverança, e escrever sem nosso censor
interno, sem se questionar se está bom ou não, original ou não, clichê ou não.
Simplesmente escrever. Até os dedos quebrarem.
Até o parágrafo acima, foram apenas 305 palavras. Para
escrever 50.000 palavras em um mês, temos que escrever 1666 palavras por dia, religiosamente
todo dia. Sentiu a bronca? Mas a Sara Farinha disse que dá para escrever 50.000
palavras sem muita dor. O Diego, do Ficção em Tópicos, também conseguiu vencer
o desafio, e ainda escreveu um diário de bordo muito massa da aventura. São
quase 3 folhas de word por dia, fiz as contas agora. Me cansa só de pensar.
Mas se não conseguir cruzar o oceano, pelo menos vou morrer
nadando.

