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terça-feira, 15 de outubro de 2013

Livro Novo: Nanowrimo


Acabo de me inscrever no Nanowrimo. Sim, a partir de 1 de novembro terei (teremos, são vários ao redor do mundo) um mês para escrever um romance de 50.000 palavras. Hoje, portanto, é um dia histórico. Claro que pensei em desculpas do tipo “não vai dar tempo/não vou conseguir escrever as 50.000 palavras”, mas não tenho nada a perder, não é mesmo? Aliás, em dezembro teremos algumas respostas literárias, de um concurso e de uma editora, e não imagino melhor forma de esperar do que escrevendo.

Sobre o que vai ser meu romance, provisoriamente chamado de Livro Novo? Não sei. Um narrador a procura de uma história, e espero encontrá-la antes do fim. Hoje reli uns trechos do megaclássico Oficina de Escritores onde diz que não tem problema a gente não saber nada da história nem dos personagens, desde que a gente comece a escrever agora mesmo – e a história vai contar a si mesma. Parece uma doideira, mas tem um monte de gente que faz isso. E daqui a duas semanas, e por todo mês de novembro (outono no hemisfério norte; bem que podia ser outono aqui também, para dar um clima), milhares de pessoas ao redor do mundo estarão correndo a mesma corrida que eu, tomando muito café e dormindo pouco, atucanadíssimos para cruzar a linha de chegada das 50.000 palavras até a meia-noite de 30 de novembro. Combinei com alguns malucos de fazerem essa travessia, e espero que eles não me deixem na mão. Sei que a ideia é quantidade, não qualidade, e que a esmagadora maioria dos livros escritos são ruins. Mas não importa. Deve ser um exercício e tanto, especialmente porque nos obriga a exercitar a disciplina, a perseverança, e escrever sem nosso censor interno, sem se questionar se está bom ou não, original ou não, clichê ou não. Simplesmente escrever. Até os dedos quebrarem.

Até o parágrafo acima, foram apenas 305 palavras. Para escrever 50.000 palavras em um mês, temos que escrever 1666 palavras por dia, religiosamente todo dia. Sentiu a bronca? Mas a Sara Farinha disse que dá para escrever 50.000 palavras sem muita dor. O Diego, do Ficção em Tópicos, também conseguiu vencer o desafio, e ainda escreveu um diário de bordo muito massa da aventura. São quase 3 folhas de word por dia, fiz as contas agora. Me cansa só de pensar.

Mas se não conseguir cruzar o oceano, pelo menos vou morrer nadando. 

quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

5 minutinhos diários


Falando em escrever ser um ato de fé e produzir a materialidade de um texto, abrindo os trabalhos neste ano que começou em uma terça, dia do senhor dos trovões, escrevo agora. Ontem soube que meu rebento está concorrendo com outros 1504 inscritos no concurso cujo resultado sai em abril. E tem uma editora porreta analisando meu texto. Ontem também Ali Luke deu a dica para uma bela resolução de ano novo: escrever (ou editar) pelo menos 5 minutos por dia sua ficção. 5 minutos não é muito, mas por isso mesmo não tem desculpa para não fazer. São só (ou pelo menos) 5 minutinhos. Em algum ano passado, talvez tenha sido 2004, quando ainda morava em casa, consegui aplicar a técnica dos 5 minutinhos diários à bateria. Deu certo. Na primeira versão deste blog, perdida para sempre nos confins da internet, consegui fazer 100 solos de bateria, em 100 dias consecutivos. Uma das técnicas mais legais que sei (rulo de um na mão direita, rulo de um na mão esquerda, dois toques no bumbo e distribuir isso pelos tambores), aprendi naqueles 100 dias, em que consegui me dedicar (pelo menos) 5 minutinhos diários. E a ideia de Ali é se dedicar pelo menos 5 minutos a sua ficção. Muito legal escrever posts de blog ou artigos, mas o assunto agora é ficção. Sim, tudo é escrita, tudo é óleo para a máquina. Mas a gente exercita músculos diferentes quando está criando ficção, diferentes de quando simplesmente sento aqui e escrevo o que estou pensando. A crônica tem um compromisso com ser sobre alguma coisa, as pavorosas redações de vestibular têm o compromisso de não fugir do tema. Meu único compromisso neste exato instante é escrever. Depois vou ter outros, mas neste momento é apenas escrever.

Depois retomaremos a história do trabalho socialmente necessário, agora que as férias aqui no escritório da Distant Thunders Administration estão acabando. Concentração, disse Murakami. Quero aumentar as horas de leitura, mais livros e menos blogs (rá rá), ainda mais que novos projetos se aproximam, e o tempo que já é curto vai ficar mais curto. Mas como o dia é hoje e a hora é agora, acho que posso escrever mais um pouco, ler mais um pouco, depois tomar um coffee, curtir um som, e assim vamos. Agora é hora. E mesmo que hoje (ainda) não foi ficção, me dediquei mais do que 5 minutinhos a produzir. Funciona.

Agora, se você tem mais um tempinho, as dicas culturais do dia são esta bela entrevista com editor, e aprender mais sobre a escrita como profissão.

Mas se não tem mais tempo, então organize sua vida.

Depois aprenda como desenvolver o hábito de escrever diariamente.

E não esqueça das 8 desculpas para não escrever hoje.