− O que move um cara, durante 43 anos, das 7 da manhã até às 8 da noite, enquanto os outros fazem surf etc., o que faz com que este cara escreva? Que tipo de obsessão é essa?
− Não, mas peraí! Primeiro, não é obsessão, é profissão. Como os outros ganham a vida no mercado financeiro, o português ganha a vida no seu armazém, eu estou ganhando a minha vida. Exatamente: eu estou ganhando a minha vida. Tem aqueles que ganham a vida dignamente, e os que ganham indignamente. Eu estou procurando vender um produto. É aquela história que a gente já falou, a história do bom tijolo. Eu estou fazendo o meu tijolo, e só entrego o que acho que está bom. Pode até estar ruim, mas eu não estou achando que está ruim, não. Além disso, não foram 43 anos confinados. Enquanto isso, graças ao bom Deus, eu tive enormes paixões, eu namorei as moças, eu viajei, eu fui e voltei, eu corri riscos, tive medos e muitas alegrias. Tudo isso ainda me dá o lucro marginal de estar aqui com vocês: oportunidade que eu obtive com o meu trabalho, na minha vida.
Millôr Fernandes, em entrevista a revista Oitenta, da L&PM, setembro de 1981.
sábado, 31 de março de 2012
segunda-feira, 26 de março de 2012
Ornette Coleman & Trabalho
O gosto pela escrita cresce à medida que se escreve.
Erasmo de Rotterdam
O escritor é um homem que mais do que qualquer outro tem dificuldade para escrever.
Thomas Mann
Ouvi ontem pela primeira vez o endiabrado Ornette Coleman, considerado um charlatão por alguns e um gênio por outros. Um rebelde do jazz, que quis pensar fora da caixa, e fez história com aquilo que passou a se chamar Avant-garde jazz, que - mesmo não sendo para qualquer ouvido - ganhou muitos seguidores, e ainda está tocando regularmente, com 82 aninhos.
Segunda semana do glorioso outono, e por isso mesmo um convite para a AÇÃO. Ontem no troca-troca de livros, trouxe A Better Way To Live do Mandino, que li metade na maravilha da madrugada silenciosa passada (pena que nem sempre dá pra fazer isso. As madrugadas foram feitas para a literatura). Tomo uma erva-nativa ecológica - e depois vou estrear café novo - enquanto o trabalho engrena, e temos bastante trabalho. Para este exato momento. Li uns trechos do Surdo Mundo, aqui ao lado do monitor, que me colocaram óleo nas engrenagens cerebrais, aquelas capacitadas a dar ritmo e fluência a um texto, e temos que consertar o diálogo entre Carol e o velho do truque da balinha (como é difícil escrever e soar natural), e então concluir a segunda versão da primeira de três partes de um dia muito longo na vida de alguém.
Vamos que vamos.
Erasmo de Rotterdam
O escritor é um homem que mais do que qualquer outro tem dificuldade para escrever.
Thomas Mann
Ouvi ontem pela primeira vez o endiabrado Ornette Coleman, considerado um charlatão por alguns e um gênio por outros. Um rebelde do jazz, que quis pensar fora da caixa, e fez história com aquilo que passou a se chamar Avant-garde jazz, que - mesmo não sendo para qualquer ouvido - ganhou muitos seguidores, e ainda está tocando regularmente, com 82 aninhos.
Segunda semana do glorioso outono, e por isso mesmo um convite para a AÇÃO. Ontem no troca-troca de livros, trouxe A Better Way To Live do Mandino, que li metade na maravilha da madrugada silenciosa passada (pena que nem sempre dá pra fazer isso. As madrugadas foram feitas para a literatura). Tomo uma erva-nativa ecológica - e depois vou estrear café novo - enquanto o trabalho engrena, e temos bastante trabalho. Para este exato momento. Li uns trechos do Surdo Mundo, aqui ao lado do monitor, que me colocaram óleo nas engrenagens cerebrais, aquelas capacitadas a dar ritmo e fluência a um texto, e temos que consertar o diálogo entre Carol e o velho do truque da balinha (como é difícil escrever e soar natural), e então concluir a segunda versão da primeira de três partes de um dia muito longo na vida de alguém.
Vamos que vamos.
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quarta-feira, 7 de março de 2012
As Seis Regras do Sucesso de Arnold Schwarzenegger
Já sei que ninguém vai ler, então nem vou perder meu tempo traduzindo. O caso é que hoje, em rápida conversa com meu partner-in-crime, estava falando sobre as seis regras do sucesso de Arnold Schwarzenegger, e falei sobre o vídeo do discurso no youtube, e outros vídeos inspiradores, e falei da quinta e mais importante regra, sem a qual as outras não valem: work your butt off (ou: senta a bunda na cadeira e escreve!), e ele me disse algo como tu fica vendo vídeos no youtube em vez de seguir as regras do Schwarzenegger, e tive o despertar de que preciso produzir hoje, neste exato momento, que é o que estou fazendo e preciso fazer todos os dias. E disse que em uma próxima oportunidade falaríamos sobre Wayne Shorter, eu que estou há dias com Pay as you go na cabeça, e ele disse para eu ouvir o Schizophrenia, que vai ser a trilha de hoje. A trilha desta revolução de manter a chama acesa, enquanto contamos os dias para a chegada do outono, e da esperança que o friozinho traz depois de dias modorrentos. A revolução do work your butt off, de se puxar para fazer a coisa acontecer.
Então abro o arquivo no qual estou trabalhando a segunda versão da narrativa longa com a história de Carol, neste ponto se afastando do mendigo do cachorro-quente. Estou exausto no momento em que escrevo isso, depois de uma manhã pegadíssima na Red Cross (quarta-feira é o dia mais puxado do ambulatório), mas como não podemos deixar um sonho escorrer pela mão, e se não quero ser póstumo como Nietzche ou Pessoa, é melhor continuar escrevendo, e honrar as 6 rules to success. Com constância, disciplina e perseverança. Nem que seja um pouquinho todo dia, se esse for o meu possível, mas nem um dia sem um pouco.
Então abro o arquivo no qual estou trabalhando a segunda versão da narrativa longa com a história de Carol, neste ponto se afastando do mendigo do cachorro-quente. Estou exausto no momento em que escrevo isso, depois de uma manhã pegadíssima na Red Cross (quarta-feira é o dia mais puxado do ambulatório), mas como não podemos deixar um sonho escorrer pela mão, e se não quero ser póstumo como Nietzche ou Pessoa, é melhor continuar escrevendo, e honrar as 6 rules to success. Com constância, disciplina e perseverança. Nem que seja um pouquinho todo dia, se esse for o meu possível, mas nem um dia sem um pouco.
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sábado, 3 de março de 2012
Leituras em março & new jazz
Enquanto o minuano vem chegando devagarinho e provo novos cafés, começamos o mês em que tem início o glorioso outono, e hoje estreei o presente que ganhei com duas joias do new jazz: os bem interessantes Matthew Halsall e Austin Peralta. Mas tenho que deixar o som bem baixinho, pois já não bastava os livros que tinha na lista de leitura dos próximos meses, este março vem chegando com importantes aquisições literárias. Falando em jazz, temos na fita a biografia de Charles Mingus e, de volta à literatura, a biografia de Clarice. Ganhei hoje também mais um Llosa, e vou reler o Robôs, Bombas e Mutantes, que li quando tinha dez anos, e um dos livros da série O Executor, que sempre namorei na época que a revista do círculo do livro povoava minhas fantasias infantis, que foram o prenúncio da literatura que viria mais tarde. Tenho uma dívida eterna com as histórias de aventura, e tenho certeza que não escreveria hoje, e sobretudo não estaria escrevendo em um começo de madrugada de sábado, se não fossem aquelas histórias. Aliás, como lembrou Assis Brasil, nos idos de 99, no primeiro dia de oficina, quando eu disse que gostava de escrever aventura, as duas primeiras histórias do mundo ocidental são aventuras.
Mas isso tudo depois de terminar Rimas da Vida e da Morte, que está me fazendo pensar em uma voz mais sagaz para recontar a história de Carol, que aliás faz dias que não pego. E vou aproveitar para pesquisar no clássico acadêmico Aspectos do Romance, outro presente. Aquecendo os motores para terça, quando começo a nova oficina do Diego.
Enfim, muito trabalho pela frente.
E isso me deixa feliz.
Mas isso tudo depois de terminar Rimas da Vida e da Morte, que está me fazendo pensar em uma voz mais sagaz para recontar a história de Carol, que aliás faz dias que não pego. E vou aproveitar para pesquisar no clássico acadêmico Aspectos do Romance, outro presente. Aquecendo os motores para terça, quando começo a nova oficina do Diego.
Enfim, muito trabalho pela frente.
E isso me deixa feliz.
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quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012
Os Fantásticos Livros Voadores do Sr. Morris Lessmore
Estava eu preso frente à página em branco, tentando reescrever um flashback da história de Carol, quando fui ver os geniais Fantásticos Livros Voadores do Sr. Morris Lessmore.
E agora estou escrevendo de novo.
E agora estou escrevendo de novo.
domingo, 19 de fevereiro de 2012
Turrentine e a Chuva
Chove lá fora. Para quem detesta verão e carnaval (like me), os trovões de Xangô vêm anunciar novos começos, pintados com lindos relâmpagos que transformam a noite em dia, e a esperança de baixar a temperatura e conceder um alívio à Forno Alegre. A trilha da semana, porque o jazz me faz sonhar com o outono, é Stanley Turrentine, que descobri recentemente, e me faz sentir cheiro de café no ar, visualizar uma cafeteira italiana, daquelas que o Bill gostava de passar, e escrever. Andei pintando um pouco mais o rosto de Naomi hoje, e também me alimentado com o belo Gracias por El Fuego, que tem me feito pensar.
A chuva diminui. A esperança fica. Novos começos nos aguardam, enquanto a semana engatinha.
Antes de sair, entretanto, não esqueça de visitar a livraria à noite.
A chuva diminui. A esperança fica. Novos começos nos aguardam, enquanto a semana engatinha.
Antes de sair, entretanto, não esqueça de visitar a livraria à noite.
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sábado, 11 de fevereiro de 2012
Pratica diária com Clifford Brown
Agora que vou ter mais uns dias de folga aqui no escritório da Distant Thunders Administration, e consegui hoje retomar a história de Carol, criei um arquivo com o nome de Contagem Diária de Palavras (hoje consegui 224). Anne Lammot falava em escrever 300 palavras por dia, todos os dias. John Braine falava em 350, Stephen King em 1000. Não importa, o lance é praticar, e praticar hoje, que afinal é o único dia que temos. Para celebrar, gravei outro dos cds em mp3 que o Jazzman me deu de presente, e ouvi hoje pela primeira vez o muito fera Clifford Brown, joia raríssima como só os grandes conseguem ser. Mas é claro: ele praticava bastante, e esse é o segredo da destreza em qualquer arte.
Tenho que colocar a leitura em dia, e temos mais o rolar de dados da próxima semana. Mas enquanto isso, celebremos a vida com o clássico atemporal Cherokee.
Tenho que colocar a leitura em dia, e temos mais o rolar de dados da próxima semana. Mas enquanto isso, celebremos a vida com o clássico atemporal Cherokee.
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