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segunda-feira, 25 de julho de 2011

Opus N.º 3 & Dream Theater

Na madrugada de hoje, enquanto tentava dormir, ainda mais que hoje tivemos o primeiro dia de new job all day long, estava pensando em escrever sobre o tal relatório do governo holandês, e achei oportuno depois que morreu a Amy para a rapeize ver que o papo é bem mais sério do que se imagina. Mas hoje, como o tempo está curto, posto um conto das antigas, hoje com a trilha que o inspirou. Como em página de livro de papel não tem música, acabei deixando o conto com a primeira estrofe da música como epígrafe. Mas como estamos na terra dos links, fui pesquisar e descobri que o Dream Theater está de música nova. Entretanto, o que me inspirou a escrever o conto, foi a maravilhosa versão de To Live Forever em Tokyo, e um dos solos mais lindos já tocados ao vivo, que por mim validaria uma estátua para o Petrucci. Ouça a primeira parte, depois a segunda parte, e boa leitura:


OPUS N.º 3

If I started from the top
And worked my way down
There’d be no reason
To live forever.

To Live Forever, DREAM THEATER.

Sonhei com este dia. Entrar pela primeira vez naquele prédio sem estar embriagado e com um motivo palpável – e pela primeira vez ela tomaria conhecimento de minha presença. Entretanto, jamais imaginei entrar ali a serviço.

Quando chegamos, o estrago já estava feito. O fogo havia se alastrado por toda a construção. No lado direito, terreno baldio; no esquerdo, uma quadra de futebol de cimento. As demais casas da quadra dispunham-se quase coladas entre si, mas a uma distância segura do prédio. Já era um começo.

A pintura da cena compunha-se da estética das labaredas seduzindo o concreto, incitando-o a tombar no chão. Emoldurada pelo céu marinho-cinza-negro que só observava. Gritaria da multidão. Delimitar território, sempre tenho que dizer a mesma coisa? Piromaníacos cercavam o lugar, fascinados. Notei o pavor nos olhares de cada mãe e pai, cujos filhos haviam permanecido trancafiados nos apartamentos para evitar acidentes. Que ironia idiota. E posso jurar que nenhum daqueles novatos, pobres criaturas normais, estava mais verdadeiramente desesperado do que eu, com todos esses anos de experiência.

Entrei correndo no prédio, enquanto os soldados recém-chegados colocavam-se em posição. A escada nunca chega a tempo. Fui sozinho, ignorando qualquer racionalidade ou senso de trabalho em equipe. Percebi logo que o caminho era mais combustão do que material. Tentei me desviar dos objetos que vinham caindo. No percurso, fui contemplando o inferno a minha volta. Aquelas paredes que guardavam o meu segredo.

Pensei ter ouvido o fim do mundo, mas era apenas um extintor explodindo atrás de mim, perto das escadas. Não tenho o costume de rezar, mas naquela hora gritei para Deus não deixar desabar o prédio. E então, o corredor veio abaixo. Prossegui, pulando sobre as ferragens destroçadas que compunham o único caminho para chegar ao meu objetivo ou a qualquer outro naquele labirinto em chamas. Quarenta e cinco, quarenta e cinco. Ao me dependurar em uma das ferragens, segurei com força o metal. Sem luvas. Achei que ia derreter, não o ferro, mas minha mão. Caí de costas, o ar já raro se foi por completo. Uma dor forte demais para não ser fatal golpeou meu corpo. Levantei e as paredes esbarraram em mim. Quanto tempo ainda teria? Quarenta e cinco, quarenta e cinco.

O céu lá fora despencando, o prédio ali dentro também. O terceiro andar foi pior. Cortina de Fogo, a língua do dragão. Mais escadas. Ao segurar o corrimão, guiando o corpo para não ruir junto da arquitetura a minha volta, constatei que minhas mãos não possuíam mais pele. O ferro é um ótimo condutor de calor.

Olhos embaçados. Ardentes e ardidos. Quarenta e cinco, deus do céu!

A nuvem de fumaça fez o tempo parar. Não estávamos realmente ali. O mundo se transformara em um imenso fotolito amarelo e vermelho. Um animal gritando como a querer ser ouvido na estratosfera veio em minha direção. Desviei, lançando-me uma vez mais ao chão. Era mais fogo do que carne e pele. Por meio segundo senti pena dela. Acho que era uma adolescente loira, mas que diferença faz a cor? Ao girar meu pescoço, vi dois braços e duas pernas incandescentes saltando pela janela. Quarenta e um... Quarenta e dois, quarenta e três. Arrombei a porta. Estava jogada num canto, perto do sofá da sala. E tudo que vi quando olhei para ela foi:

— Fogo.

Peguei-a em meus braços – como fazem os heróis – e a levei. Ela tossia muito, duvido que dispusesse de suas plenas faculdades mentais. Seu corpo estava quente. O meu também. Voltei com ela, não lembro detalhes.

Transpassei aquilo que um dia foi a porta de entrada do edifício. O fotolito mudara de cor. Voltei a ter contato com o ar. Uma parede de oxigênio investiu contra meu corpo, uma represa destruída desaguando sobre a terra seca e quebrada. Comecei a chorar. Imperceptível, mas um choro é sempre um choro. Levaram-na para a ambulância e lá permaneceu. Eu, tombado.

Quando voltei a mim, o prédio já estava no chão. Consegui me levantar e me aproximei da ambulância. Ao chegar perto, ela me olhou agradecida. Salvei sua vida, podia pedir o que quisesse. “Um jantar?”, pensei ter ouvido. Como se tivesse lido minha mente, ela mordeu o lábio inferior e continuou a me olhar, esperando uma reação. Teria ela percebido alguma coisa? Visto-me algum dia pela janela de sua sala, agora um amontoado de cinzas? Bêbado? Bêbado, claro. Senti um frio imenso, maior que tudo. Ela me conhecia.

Abri a boca para balbuciar qualquer bobagem que – tinha certeza – seria correspondida. Ela aguardou. Quis. Uma mão forte me puxa pelo ombro e aponta o caminhão vermelho que já está partindo. Os últimos soldados sobem. Mais trabalho. Sirenes ligadas, a do caminhão e a da ambulância que parte apressada. Sem um abano sequer. Tanta luta, tanto ensaio, tantas noites e para quê? Entro no caminhão sem pele nem alma. O homem grita, ninguém ouve. Quem sabe no próximo incêndio?

quarta-feira, 13 de julho de 2011

Dia Mundial do Rock

Depois de alguns dias com os cabos desplugados por aqui (leia-se: sem internet), no Dia Mundial do Rock, como a lista das preferidas dos famosos está meio levezinha, homenageamos os deuses do rock and roll com a melhor banda do universo, direto do mesmo ano em que aconteceu o Live Aid, de onde saiu o dia de hoje.

Em breve, leitores-fiéis e anônimos: e-mails respondidos, novas mensagens, posts & um pouco de literatura.

Up the irons.

terça-feira, 3 de maio de 2011

Novo velho Satch

Juro que ia dormir, depois de talvez acabar meu Ratos e Homens, ler mais um pouco do Viver e Escrever Vol. 2, que comecei hoje (ou ontem), preparando meu espírito para a oficina com o Diego que começa amanhã (ou hoje), mas caí na besteira de entrar na Amazon, pois estava fazendo umas anotações ao som do belíssimo Change de Richie Kotzen, que orquestrou meu saturday night, e descobri que Joe “God” Satriani está de disco novo, e pelo visto o velho Satch está de volta - e quebrando tudo. Ainda há esperança para a música, afinal. Life’s good.

Nada mal para começar o mês das noivas e das taurinas mandonas, no dia em que derrubaram o Bin e o frio voltou com tudo à cidade-sorriso. Vamos que vamos.

quarta-feira, 6 de abril de 2011

Tema de Casa & Holiness

Estava hoje desenterrando uns disquetes que mal abrem no computer, e achei este conto, já publicado no período jurássico deste blog. Fazia vários anos que não o lia. Vai hoje junto com a dica cultural da semana, a banda Holiness de Erechim, que conheci na Zero Hora de ontem, e faz uma sonzeira de primeiro mundo. Foram produzidos pelo polvo Aquiles Priester. Aumente o som – ou simplesmente boa leitura.


TEMA DE CASA

Sem fôlego, César corre para dentro de casa. Atropelando todos os objetos em seu caminho e quase despencando pela escada, ele entra em seu quarto. Vai em direção de Mike, sentado na beirada da cama e o abraça. As lágrimas descem quentes pelo rosto de César, tatuando a alma. “Desculpe, desculpe”, apertou forte Mike contra o peito. Choro desesperado, de tremer o corpo todo. De faltar voz, de enlouquecer alguém. Choro — até quase desmaiar. “Desculpe”, implorou mais de mil vezes.

Ao chegar na escola, César avista Joana no corredor. Eles se cumprimentam, ela sorri para ele. Joana olha carinhosa para César e ele lembra do filme que nunca viu. Olhos de serpente. Ele sorri de volta. César a pega pela mão de forma suave, convidando. Joana não entende e recusa. “Vem, eu quero te mostrar uma coisa”, insiste ele. Educado, como sempre foi, como sempre exigiram que ele fosse. “Quero que tu veja uma coisa”, diz ele. “Que coisa?”, pergunta aos sorrisos. “Vem”, insiste César, conduzindo Joana pelo corredor até a porta do banheiro masculino, adentrando. Serena, Joana pergunta a César o que ele queria que ela visse. “Olha para a parede”, diz ele. Joana fica de costas para César, que lhe dá uma forte joelhada no pulmão direito, produzindo um ruído seco. A garota quase desaba sobre o chão. César a agarra pela camiseta, esmurrando seu rosto até ela se curvar, cuspindo sangue. Ele então agarra a cabeça da colega fortemente pelos cabelos e bate com ela repetidas vezes contra o concreto, quebrando o nariz de Joana, abrindo seu supercílio e um talho em seus carnudos lábios. César vira o corpo da garota, jogando-o violentamente para dentro do boxe. O barulho das costas dela tentando vencer a parede demonstram que algo foi quebrado – um alicerce ou uma costela. Com o impacto, o sangue do rosto dela espirra na parede, decorando o branco opaco de vermelho. César estrangula Joana sobre o vaso sanitário, olhando em seus olhos. Olhos de vidro nos olhos de serpente. Ele emite um grunhido, sem alterar sua expressão facial. E solta o corpo. Joana está morta, espalhada sobre as fezes de alguém que não quis dar a descarga. César sai caminhando do banheiro, atravessa o pátio e dirige-se até o portão da escola. Só então começa a correr.

Com a porta do quarto chaveada às suas costas, ele olha direto para a prateleira. Ao avistar o pequeno Mike, César avança. Passos rápidos de gigante dentro da criança que já não era mais. Passa desapercebido da cabeça de tigrinho branco de pelúcia sem corpo, jogada aos pés da cama, e bate violentamente no rosto de Mike, virando e agarrando a cabeça, batendo incessantemente com ela contra o armário. O corpo cai no chão. César aperta o pescoço de Mike com toda a força.

César entra em casa sem falar com ninguém. Durante o almoço, olha fixo para o prato, o qual esvazia muito rapidamente, se levantando da mesa em seguida. A mãe pede para ele ajudar a tirar os pratos, pois ela não pode fazer tudo sozinha. César pergunta se ela pensa que ele é um inútil e começa a xingá-la. Ela começa a chorar. Ele se tranca no quarto.

Na hora do intervalo, Joana está perto do quadro-negro perguntando para César, sentado na primeira classe, em que circo ele trabalhava, referindo-se à roupa listrada que o garoto vestia. Metade da turma gargalha. “Mas eu gosto”, ele diz, quase se desculpando. Mais gargalhadas. Ele fica sério. As piadas proliferam ao redor de seus ouvidos. Ele começa a rir. Sem graça.

Ele ergue a cabeça em direção ao canto do quarto, contemplando a sua vítima de todas as semanas, e completa em sua agenda: “hoje eu dei a centésima surra em Mike.”

César está cabisbaixo. “Eu queria poder me enterrar nesse concreto”, sussurra ele para o melhor amigo Francis, que ri cínico e diz a ele com firmeza que foi muito bem feito a namorada tê-lo traído e abandonado, pois ele tinha sido avisado. César vira o rosto em direção a Francis, tremendo as mãos. Dentes trincados. Respira fundo e conta uma, duas, dez vezes. “E não adianta me olhar com essa cara”, avisa Francis. César volta a encarar o chão.

No dia de seu aniversário, César encontra seu pai, quase um ano após a última vez em que se viram. Ganha um orangotango de pelúcia. O pai diz que sente muito não poderem se falar mais seguidamente e que vai fazer de tudo para reverter essa situação. Uma mulher o chama, ele se despede apressado. César nada diz e também se retira, após observar seu pai ir embora com a namorada. Põe-se a caminhar pela calçada, abraçando vez ou outra seu presente. Batiza-o de Mike.

Às vésperas de completar dois meses de terapia, o psicólogo finalmente ouve a voz de César. Ele conta uma história confusa, fala mal de seus amigos. O relógio marca cinco horas. César se despede do psicólogo com um forte aperto de mão e dirige-se a até o ônibus que o levaria para casa. Ao chegar, sorridente e falando alto, encontra sua mãe na cozinha e diz que mal pode esperar até a próxima semana, naquele mesmo dia. A mãe olha terna para o menino e acaricia seu pequeno rosto. Diz que seu pai ganhou a liminar que reduz a pensão e que seu tratamento com o psicólogo seria interrompido.

Na escola, cada vez mais afastado dos amigos. Em casa, cada vez mais quieto, sobretudo nas manhãs seguintes ao acordar de uma madrugada de discussões familiares. Reuniões no colégio, bilhetes frequentes denunciando sua constante falta de atenção nas aulas. Seu pai acusa César de estar se drogando. Reprovação no final do ano. Seus pais se separam.

Com raiva, com muita raiva, ele percorre as paredes de seu quarto com os olhos. Acaba parando no tigrinho branco em frente aos livros. Caminha até a outra extremidade do quarto e começa a espancar o boneco.

César tem sua atenção desviada ao ouvir um dos meninos do outro lado do campinho de futebol gritar seu nome e não percebe o vizinho que segura seu calção e o abaixa até os joelhos, trazendo consigo as cuecas. Todas as meninas sentadas no banco apontam para ele.

É Natal. Na casa da Tia Elaine, os adultos conversam perto da lareira. Dois casais com taça de vinho se encontram esparramados sobre o sofá da sala. Às duas horas da madrugada, quatro horas após o horário normal do toque de recolher, César é a única criança acordada. Caminha pela casa, ziguezagueando os parentes a sua volta, trazendo consigo o tigrinho branco de pelúcia recém ganho, até que puxa seu pai pela mão, interrompendo a conversa com suas tias, apontando para uma senhora no canto da sala, dizendo que ela era uma velha muito feia. Constrangido e irritado, seu pai o puxa pelo braço, dizendo que os meninos educados têm que ser discretos.

quinta-feira, 31 de março de 2011

Ozzy - O Dia Seguinte


Sou Colorado desde a infância – embora não perca minhas noites de sono por causa do futebol –, mas me achei na obrigação de comentar dois errinhos da imprensa sobre o show de ontem. Primeiro, Ozzy não entrou com a bandeira do Grêmio. Jogaram a bandeira no palco e ele vestiu (aliás, de cabeça para baixo), assim como vestiu a bandeira do Rio Grande do Sul logo em seguida. Saiu escrito que jogaram a bandeira do Inter também, mas ele não pegou (bem, isso eu não vi). Segundo, ele não tocou Rat Salad, mas Faires Wear Boots.

De qualquer forma, apesar de ter faltado No More Tears (inexplicável), Miracle Man (uma de minhas preferidas) e I Want It More (a minha preferida do último cd), o show estava animal. Valeu muito ter passado horas na fila para comprar os ingressos (aliás, descobri hoje que estou no youtube. Sou o cara de boina e mochila que aparece em 0:17). Mr. Madman está inteiraço sobre o palco, pulando, batendo palmas e jogando água na plateia e em si mesmo. Os solos de guitarra e bateria foram bem bons, mas achei meio parecidos com os solos de Zakk Wylde e do finado Randy Castillo, gravados no Live & Loud, inclusive com as interações da plateia com Castillo, para mim o melhor (e mais carismático) batera de Ozzy, junto com Tommy Aldridge, esse contratado apenas para o Speak of the Devil. Ozzy está cantando melhor do que quando jovem – será que é resultado de ele ter se aposentado de sua vida de excessos? Sei que ele costumava desafinar ao vivo, mas ontem ele cantou um set – tirando um erro de tempo, se não me engano, em Road to Nowhere – perfeito.

Então, para encerrar março (ou iniciar abril, dependendo de quando você está me lendo), deixo um abraço para o Rafael, que foi quem me mandou a foto acima, meu grande camarada Giuliano Wylde (o maior fã de Ozzy que conheço), e para o Mauro Paz, meu colega de Laboratório, que está publicando sua novela A Garota Azul do Lago em capítulos no blog de mesmo nome. Enjoy.

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Escrevendo com 24-7 Spyz

Antes de ir para a última aula da oficina free de formas breves, resolvi matar as saudades do grande 24-7 Spyz, a melhor banda que você jamais ouviu falar – acho que o Marcelo foi a única pessoa para quem falei do Spyz que sabia quem era. Li por aí que eles vão lançar disco novo este ano (e lembrei que fiz uma homenagem a eles no um pouco eterno livro. Mas sobre isso falo mais em outro post).

Enfim, ouvi depois de anos o muito fera Face the Day, para mim sério candidato a um dos melhores momentos da década que recém acabou, mas também escrevo ao som de Heavy Metal Soul by the Pound, que comprei com parte dos royalties literários do Sex’n’Bossa.

Legal que depois de várias semanas me amarrando, comprei um novo bloquinho para viagens literárias enquanto caminho ou ando de bus, ou simplesmente sem tempo para desenvolver a ideia toda em texto. Na Bíblia de Koch, ele recomenda: reserve tempo para os cadernos. Não lembro se já comentei isso aqui, mas o mote do que se tornou o um pouco eterno livro foi tirado de uma cadernetinha minha do Menino Maluquinho que está repleta de ideias para contos, diálogos e muitos outros adubos que talvez jamais gerem plantas maiores, mas o insumo deve ser contínuo. Sempre. Como dizia o professor do clássico-da-sessão-da-tarde Jogue a Mamãe do Trem, um escritor escreve.

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Undertow

Pois que neste começo de madrugada (o relógio deste blog está seis horas atrasado, agora são 2 e 22) os deuses do rock and roll me mandaram um presente de Natal: o grande Mr. Big está de volta, com a formação original, e a faixa que abre o disco mostra que os caras não estão pra brincadeira.

Mas se você ainda não se convenceu, aumente o som.

Nada mal para brindar o ano novo vindo aí, não é mesmo?

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Sugestões para atravessar o verão

Aproveitando o ano que está indo e a proximidade do verão e todas as suas efervescências – que honestamente detesto –, enquanto revejo John Blackwell quebrando tudo com Everlasting Love (presente para o Marcelo Martins, que adora funk), e deixo as valiosas dicas de equilíbrio emocional para escritores, posto hoje um texto inspirado nas “Sugestões para evitar...”, da Hilda Hilst, fruto da oficina com o Diego. E uma homenagem àqueles que, como eu, contam as horas para a chegada do outono.


Sugestões para atravessar o verão, seguido de fim de relacionamento

1)Aceite o fato de que você vai sentir raiva. Não só porque você está de volta ao rebanho desgarrado dos solteiros, mas especialmente porque todos amam o verão, esperam o ano inteiro pelo verão, estão felizes e MUITO sorridentes.

2)Seu primeiro impulso vai ser querer ir pra galera e se afundar na farra, não apenas para tirar o atraso e a abstinência impostos pela vida de casado, mas também por causa da raiva (lembre-se da dica nº 1). Resista a esse impulso. O mito de que para esquecer um amor só com outro amor é mentira. Não se tapa um buraco com outro buraco. Além do mais, 99,9% dos relacionamentos iniciados no verão e na praia não sobrevivem na cidade, ou em todo caso à terça-feira gorda. Se você acha que o seu caso vai ser o 0,1% que vai vingar, é melhor tomar uma ducha. E por falar em terça-feira gorda:

3)Mantenha-se afastado da televisão. O problema não é se sentir mal com os trios elétricos, Ivetinhas e axés em geral. O problema está em se acostumar com isso, e seguir contaminado para além de março. Tenha sempre a mão cds de rock, mesmo que você não goste de rock. Nunca falha.

4)Faça as pazes com o fato de não ter dinheiro para ver a neve em Londres ou Nova Iorque. A vida é injusta. Mas esqueça o trabalho e os estudos e durma o dia inteiro. De noite é mais fresquinho.

5)Coloque na lista do Papai Noel um novo relacionamento. Tudo bem que o ano está recém começando e tem todo esse calor horrendo pela frente, depois outono, inverno, primavera. No fim dá tudo certo. Mas primeiro você vai ter que sobreviver ao verão.

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Ozzy e as Doces Obsessões

Começando dezembro, escutando o novo Ozzy, no dia em que mofei na fila para comprar ingressos para ver Mr. Madman
daqui a quatro meses, deixo a breve história escrita originalmente para o Histórias do Trabalho, e me despeço com Let me hear you scream:


Doces Obsessões

Tenho um emprego e um trabalho. Em meu emprego chego de manhã, não muito cedo, e vou embora de tardezinha. Em meu trabalho, não tem hora para começar, muito menos para terminar, trabalho todo dia o dia todo, noites e noites sem fim. Meu verdadeiro ofício começa quando a vejo, ela me olha de volta, eu sorrio, ela sorri, ou acho que ela sorriu, alguns segundos depois estamos casados, depois bodas de prata, mas ciúmes retroativos do que ela fez como fez com quantos fez há quanto tempo não faz anuviam minha mente, ela vai me largar, como todas as outras, de novo, nascido para ser um fracasso, e só penso nisso todo dia o dia todo, e os outros trabalhos, pelos quais recebo no fim do mês, vão se acumulando na mesa nesta prisão que chamam de agência publicitária, e quando penso em criar um anúncio para vender meu coração, eterno cigano, e vender também a menina para quem o dei, com quem sou casado, celebramos aniversários, e me traiu com todos os meus amigos, só então percebo que aquela menina apenas sorriu e foi embora. Então aguardo ansioso o próximo rosto, o próximo sorriso, o próximo casamento, a próxima obsessão.

domingo, 7 de novembro de 2010

Sir McCartney e o meu estômago

Enquanto a presidente da Distant Thunders Corporation foi ver o Paul, deixo este breve poema para começar a semana, escrito originalmente para o concurso do bus:

Meu estômago é inverno
A primeira vez, a última vez

Meu estômago aceita, rejeita
Vomita para não ser vomitado

Meu estômago é coração
Viciado sedento por mais uma dose

Meu estômago quer escalar o Everest
Mas tem medo de cair boca afora

Meu estômago é esperança
De um dia ver o sinal verde para mim.

terça-feira, 13 de julho de 2010

Dia Mundial do Rock

Hoje é Dia Mundial do Rock. Paradoxalmente, aqui no Brasil também é dia das duplas sertanejas (pelo menos era quando o Guia dos Curiosos foi originalmente publicado). Aí, talvez pensando na Resistência, sobre a qual sempre troco missivas eletrônicas com o Marcelo, fui ouvir as músicas de meu camarada Daniel Ferrera - já que hoje também é dia do sertanejo, vale a dica), e não é que o cara canta bem mesmo?

De qualquer forma, para você que pretende ainda estar sentindo arrepios ao ouvir guitarras distorcidas quando chegar aos 80 anos, aumente o som.

Enquando penso em republicar alguns contos do Distantes Trovões (agora que aprendi a colocar links, podia até colocar trilha para os textos), seguimos resistindo. Acreditando, perseverando, semeando, arando a terra. Subindo a montanha. Como diz minha tchutchuka, it's a long way to the top.

sexta-feira, 25 de junho de 2010

Trezentos Segundos & Michael Jackson

No dia em que completa um ano da morte daquele que, como disse o fundador da Motown, foi o maior artista que já viveu
e lembrando a filha de Martin Luther King incitando para que todos possamos ser inspirados a seguir e deixar nossa luz brilhar, na semana em que decidi voltar ao saudoso mundo das oficinas literárias, vai um conto para matar as saudades da ficção. O texto abaixo tem dez anos, do tempo do Tio Assis
e não foi publicado na primeira versão deste blog (embora suspeite que ele tenha sido publicado no Leia-me. Estou certo, Divan?).


TREZENTOS SEGUNDOS

PERSONAGENS:

CASCATA: o marido. Negro, traficante.
BETTY: a esposa. Branca, preocupada.
LISA: a filha. Meiguinha, 7 anos.
GEZEBEL: a vizinha. Fofoqueira, gostosinha, cabelos lisos.
OSÓRIO: o policial. Novato, impulsivo, capricórnio.

ATO I:

Começo de noite de terça. Da beirada da mal cuidada varanda de sua casa, Cascata olha para baixo, contemplando as malocas que preenchem toda a extensão do morro; dos pés à cabeça, como se tivesse sido coberto por um lençol de casas marrons e enfadonhas. Cacos, não casas. Ao voltar-se para além da porta da sala, ele percebe que sua mulher ainda não havia parado de falar. Manda a vaca calar a boca. Ela não obedece. A filha sai pela porta da cozinha. Cascata aproxima-se e a esbofeteia. Sim, a vaca. Mulher tem que tratar assim, senão não respeita ninguém. Ele volta para o quarto e termina a garrafa de cachaça inaugurada dez minutos antes.

Betty diz uma coisa qualquer, reclama de uma coisa qualquer. O marido faz que não é com ele, mudo na varanda. Ela continua falando até que ele se vira e grita para ela ficar quieta. Betty abala-se e diz para a filha ir brincar na rua. A discussão se acalora. Ele pula em cima dela e a espanca. Sim, o estúpido. Vai para o quarto, sem parar de ofender e humilhar a esposa e continua bebendo. É só o que ele sabe fazer mesmo. Homem ignorante não dá pra conversar. Todos uns covardes, batendo em mulheres. É por isso que homem tem que ser corno. Todos eles.

Lisa apaga a luz de seu quarto e segue em direção à sala, onde vê o casal discutindo. Sua mãe ordena que ela vá para a rua. Ela vai. Na porta, está a vizinha que a conduz pela mão até uma outra casa. Segue sem olhar para trás e sem ver seu pai batendo em sua mãe. Mas Lisa pensa que seu papai pode bater em sua mamãe, porque ele é homem e mamãe é mulher. E homem pode. Ele bate na filha todos os dias, mas é porque ela também é mulher.

Gezebel conhece os vizinhos que têm. Ao perceber que a briga das sete da noite começou adiantada, não tarda em adentrar a porta da cozinha e pegar a mão da criança, filha do casal. Gezebel convida-a para ir até a casa onde as duas sempre comem biscoitos, tomam leite com chocolate e conversam. Muito especialmente em situações como essa: Cascata, o Animal, desconta suas frustrações em Betty, a Guerreira, que além de ter que se proteger do troglodita com quem mora, ainda tem que cuidar de Lisa, a Princesinha. Coitada dessas duas. A vida no morro é sofrida e a dessas duas não é diferente. Sobreviventes, é o que elas são.

Osório sobe o morro antes do batalhão, que ainda vai demorar mais alguns minutos, sabe-se lá Deus quanto. A esta altura, o perímetro já foi coberto. Ele segura seu revólver prateado e aperta o distintivo três vezes, como em um ritual. Caminha entre os estreitos corredores formados pelos intervalos entre as casas. Sem saber o que lhe aguarda, mas tendo uma vaporosa idéia, ele segue. Ali em cima, não existem heróis. É o serviço dele, não há escolha. Alguns barracos a mais e ele vai pedalar a porta, pegando o marginal de surpresa. Porque é assim que se faz: vagabundo tem que ser tratado que nem vagabundo. Direitos humanos, o cacete.

ATO II:

Cascata permanece sentado em sua cama, olhando para a porta do quarto e a garrafa vazia deitada no chão. Betty vai até o banheiro lavar o rosto, pressionando o pano com os cinco cubos de gelo contra o rosto. Lisa começa a comer os biscoitos, sentada em frente à televisão da vizinha, que pede licença dizendo que vai buscar um presente. Ao voltar, Gezebel traz consigo um pequeno vestido costurado por ela mesma. Osório focaliza a casa do traficante, estudando o espaço a sua volta.

Cascata passa por Betty. Betty permanece quieta e desvia o olhar de Cascata. Lisa sorri para Gezebel. Gezebel pergunta se Lisa gostou. Osório se aproxima da porta da cozinha. Raiva para Cascata. Arrependimento para Betty. Elogios para Lisa. Agradecimentos para Gezebel. Osório aponta a arma e dá um passo à frente.

FINALE:

Osório grita para que Cascata fique parado, apontando o revólver para o seu rosto. Ele agarra Betty pelo braço e a atira contra o policial, como se fosse um pedaço de roupa suja. O policial desvia-se dela e põe-se a correr atrás do traficante. Betty também corre. Sai em direção à casa de Gezebel, onde provavelmente a filha Lisa estaria. Começam os tiros. A mulher está desesperada, pois já é noite. Dezenas de policiais armados começam a surgir do nada, como se fosse um enxame. Tudo acontece muito rápido, como sempre foi e para sempre será ali em cima: Betty adentra o pequeno pátio de Gezebel, onde se encontram a vizinha, a filha e aquilo que ela chama de marido encurralados pela polícia. Osório está mirando nos olhos de Cascata, que em um gesto rápido pega Lisa como refém. Alguns homens abaixam seus rifles, outros mantém-se na posição. A gritaria prossegue. Osório diz para Cascata largar a menina. Ele jura que vai atirar em Lisa e Osório sabe que ele não está mentindo. O fio da extensão da luz que ilumina o pátio é cortado. Ao olhar para trás, Osório não consegue reconhecer o rosto do policial vendido que o traiu. Os tiros recomeçam, cessando logo em seguida. Escuro. As luzes se acendem. Lisa está morta. Deitada sobre o chão lamacento, sujando seu vestido novo. Betty começa um misto de choro, grito e gemido, tão histericamente quanto um ser humano pode conceber. Não percebe a vizinha ao lado, chorando de dor. Imóvel. Para sempre. Os homens espalham-se rápido, na débil tentativa de capturar Cascata. Osório baixa a cabeça. Por que não foi ser carpinteiro? Não existem heróis ali em cima. Uma ronda a mais, um corpo a mais, uma história para não ser lembrada a mais. Eles sempre fogem. A caçada se prolonga. A luta também.

E nunca termina.

domingo, 16 de maio de 2010

Albatroz

No dia em que o navegador Nicolai completou 60 anos, ele caminhou sorridente pelo convés de seu navio e desceu até a cabina onde descansava sua esposa Natasha. Chegando lá, constatou que ela não estava. Olhou em volta, contemplando o casco da embarcação e viu um livro com capa de couro, repleto de anotações feitas à caneta com uma caligrafia feminina. Esticando seus robustos braços, Nicolai começou a ler os rabiscos do pequeno livro, onde dizia “não posso mais esconder esse segredo de Nicolai. Devo contar a ele sobre Mike. Deus, perdoai-me por ter abandonado tão formidável pessoa. Estou no mar há três meses e não consigo imaginar mais minha vida sem ele. Não há um dia sequer em que eu não pense nele, no seu cheiro, no seu toque. A cada momento, minha angústia aumenta, pois não consigo me livrar da culpa de tê-lo deixado. Deus, dai-me forças para contar e faça meu marido entender que...”

Natasha entra na cabina. Nicolai dá um soco no livro e grita “Mike”, olhando para ela. Ela olha para o livro no colo do marinheiro e retorna o olhar, levantando as mãos e pedindo para Nicolai se acalmar. “Mike”, ele grita uma vez mais, levantando-se. “Não é o que você está pensando”, diz ela erguendo os braços e protegendo o rosto. Nicolai a pega em seus braços e a esbofeteia. Natasha grita para ele parar. Ele bate mais forte. Ao sair da cabina, sobe as escadas e caminha em direção ao convés, lá permanecendo até o anoitecer.

Segurando no corrimão da proa, Nicolai fita a linha do horizonte, o infinito do mar, respirando fundo a brisa. Passaria ali a noite inteira imóvel, sob o vento frio do Sul, de onde o navio retornava. Vez ou outra, baixava os olhos e escutava Natasha chorar lá embaixo, em sua cabina. Nenhum deles disse uma só palavra durante a noite que pareceu se esticar por toda a eternidade. O barulho dos suspiros contidos dele perdiam-se em meio às pequenas ondas que batiam no casco do barco. Oriundo de uma família de pescadores do norte da Sibéria, ele havia conhecido Natasha em uma de suas viagens a Bielorússia, terra natal dela. Filha única de um casal de mercadores, ela fugiu de casa aos 20 anos para viver com Nicolai, contra a vontade dos pais, que odiavam o marinheiro. E sempre confidenciava: havia apaixonado-se por ele por causa de seus “olhos verdes de um mar egípcio”. Ele então contava com 55 anos.

Ao amanhecer, o navegador verifica as amarras perto da popa e ouve o ranger da embarcação. Ele olha por sobre o ombro e seu rosto denuncia o erro: um furacão vindo do Leste se aproxima. “Impossível”, ele diz. “Impossível não ter previsto...”. Nicolai não completa a frase. A fúria de Deus invade o oceano. Vagalhões castigam o navio, que começa a sacudir. O vento arranca a vela, arrastando Nicolai pelo assoalho. Ele prende-se ao mastro, tentando alcançar a rede. A tempestade chega rápido, inundando o convés. As cartas de navegação, os condimentos e a bússola são espalhados pelo chão. Nicolai é arremessado para perto da escada, batendo em uma das bordas do casco, fraturando a perna. Ele joga seu corpo para trás, desabando pelos degraus até o corredor de acesso às cabinas. Gritando, põe a mão sobre a coxa direita, percebendo um talho de quase dez centímetros. Contrai a perna com a palma da mão e segue mancando para a cabina, tropeçando no baú perto da porta de entrada, que arromba com uma investida do cotovelo e ombro esquerdos. Natasha grita para que ele fique longe dela. Ofegante, ele diz que não vai machucá-la e avança em sua direção. Ela começa a gritar de forma histérica para ele não encostar nela. Nicolai diz que o navio está afundando. Ela se desvencilha dos braços dele e corre para a escotilha, localizada nos fundos da cabina. “Natasha”, ele diz, vendo-a abrir a escotilha e fazendo toneladas de água serem derramadas pela portinhola. Um grande solavanco quase vira a embarcação, lançando os corpos dos dois contra a parede. Natasha bate de cabeça. Nicolai se engasga com a água salgada, lutando para não se afogar.

Natasha consegue chegar ao convés. Ao olhar para o lado, vê as muralhas de água que continuam atingindo o barco, produzindo nele um lento rodopio. Ela é derrubada e arrastada pelo convés, junto com o mastro que acaba de cair. Levada até a popa, Natasha é jogada de uma borda a outra, conforme o navio vai oscilando.

Nicolai pula sobre o mastro inclinado dois metros acima da água, agarrando forte e se arrastando sobre ele, lutando contra o vento para chegar até Natasha. Ao chegar perto dela, quase encostando em sua mão, o barco sofre outro solavanco, atirando seu corpo para a outra extremidade. Nicolai se deixa cair na água do convés e seguir a correnteza estabelecida ali dentro rumo à popa. Natasha é jogada de volta, colidindo com o corpo do marinheiro, que fica preso na rede de pesca. Ao se desvencilhar, Nicolai vê Natasha dependurada no corrimão da borda, quase já no mar. Entre passos frenéticos e pulos imprecisos, ele a segura pelo braço no exato momento em que ela escorrega do corrimão. O navio treme. “Eu não vou soltar, querida”, diz o marinheiro sem fôlego. “Nicolai”, diz Natasha com o olhar triste. “Aguente firme. Segure meu braço”, grita ele. E então, como se o furacão fosse avisado, há uma breve pausa na tormenta. Natasha olha para o verde de um mar egípcio. “Eu te amo”, ela diz. E cai.

E ele viu almas perdidas sobre a água, olhando com pesar. O vento diminui até se esvair. O navio ainda flutua.


Ao chegar em um vilarejo costeiro, em uma das setecentas ilhas do arquipélago das Filipinas, Nicolai continua a caminhar por entre a rua estreita de pequenas casas. Ele acena para uma mulher velha, de pele rosada, vestindo uma espécie de touca e um avental desbotado. Ela o cumprimenta de volta. Ele se aproxima e pede para falar com Mike. Sem fazer perguntas, a velha pede para o marinheiro aguardar, entrando em sua casa. Ao voltar, a mulher traz consigo um menino de quatro anos. Nicolai olha fundo nos olhos do menino. Olhos verdes de um mar egípcio.




Nota: a narrativa foi inspirada nas melodias de Ghost of Navigator e o nome “Albatroz” foi retirado da música Rime of the Ancient Mariner do IRON MAIDEN. Segundo a lenda, no mar há um albatroz que acompanha as navegações mais ao Sul, trazendo boa sorte. Na viagem de volta ao Norte, o marinheiro matou o albatroz, trazendo consigo uma terrível maldição para o navio.

quarta-feira, 12 de maio de 2010

Mother Russia

No dia em que a proprietária da sede do Distantes Trovões on line e mãe deste que vos escreve está de aniver e foi comemorar conhecendo a outra Mãe, levanto cedo para escrever enquanto o dia nasce lá fora, os passarinhos cantam e a chuva continua.

Então já começo a enumerar a lista de coisas a serem feitas nos próximos 12 dias, antes que o telefone comece a tocar, a saber: rever a Quarta Temporada da série preferida deste blog, começar a leitura de O Livro dos Livros Perdidos de Stuart Kelly, escrever outro projeto para concorrer a uma bolsa – a luta continua –, ver Flight 666 do Iron “Gods” Maiden, seguir escrevendo o meu rebento e responder a carta da minha tchutchuka.

Mais tarde ouvirei pela primeira vez na íntegra o disco de jazz mais vendido de todos os tempos, uma trilha e tanto para dar a dica de leitura de hoje, os textos de meu comparsa Marcelo Martins.

Então para abrirmos os trabalhos, deixo aqui uma singela homenagem a minha mãe e ao meu camarada, guitarrista e colega musical de longa data Giuliano, Mother Russia tocada pela melhor banda do mundo.

quinta-feira, 6 de maio de 2010

Sargaço

Depois de ficar quebrando a cabeça - ainda estou me alfabetizando nessas linguagens de internet - para aprender a inserir links, abro os trabalhos no mês de maio com esses caras, que descobri no blog do Saramago. Um jazz da pesada (não se preocupe, Giuliano, prometo um video de peso para breve. Aliás, acabo de linkar o show do Megadeth ali do post abaixo).

Já aproveito e deixo um abraço para meu comparsa das letras Marcelo Martins, para quem mandei esse video há algum tempo, e com quem troco figurinhas sobre sax tenor x sax alto x literatura, e de quem ainda aguardamos o endereço do blog.

Play it loud.

quarta-feira, 28 de abril de 2010

Novos Começos Again

Pois que depois de sete anos de blig, este blog muda de casa. Forçosamente (não conseguia mais postar no antigo), mas vou considerar como um sinal do Universo, e aqui estamos. Ainda aprendendo a mexer, experimentando, enfim.

Estamos de volta. Na semana em que vi o Megadeth tocando na íntegra o atemporal "Rust in Peace", um sonho de adolescência. Casa nova, depois de ter publicado duas vezes os contos de "Distantes Trovões", ter começado e terminado o um pouco eterno livro - quem sabe este blog não verá meu baby enfim chegar à Terra Prometida?

Para encerrar, deixo uma citação de Nelida Piñon, que bem poderia ser uma epígrafe, e diz tudo:

De alguma forma, todos os dias alguém bate a nossa porta e nos convida a desistir.

Sigo não aceitando o convite.