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sábado, 20 de abril de 2013

1959 e a Regra das 10.00 horas


Descobri hoje o documentário muito fera 1959 - O ano que mudou o jazz, contando a história dos seminais Kind of Blue (Miles Davis), Mingus Ah Um (Charles Mingus), Time Out (Dave Brubeck) e The Shape of Jazz to Come (Ornette Coleman). Repare em 38:46, sobre a política de segregação racial endossada pelo governador Faubus e o protesto de Mingus na música Fables of Faubus, assim como nos gritos de “Yes we can” – “Barack Obama talvez não saiba, mas o jazz foi uma das razões pelas quais ele foi eleito”. E repare também no minuto 51: 12 – “A urgência desesperada de tocar de Ornette Coleman refletia a paranoia nuclear da Guerra Fria”.

E se você ainda não viu, acompanhe o personagem saindo para passear em uma cidade cheia de livros neste belo vídeo de aniversário da 4th Estate Books.

Um mês de outono e a história de Carol ainda aguarda eu escrever seu terceiro e último capítulo. Depois de uns dias sem computer, e enquanto leio sobre a regra das 10.000 horas de prática para se atingir a excelência de sua arte em Outliers - Fora de Série, vamos ao trabalho.

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Sobre a inveja e as potencialidades reprimidas


Eu não sou alguém invejoso.

Todavia tenho muitos outros defeitos.

Aconteceu-me uma coisa estranha nos últimos anos.

Um boato sobre mim, um boato tão grande que me paralisou como ser humano e também economicamente.

Isto me permitiu entender que o sentimento de inveja é onipresente e fonte da maior parte da discórdia nesta Terra, e pode ser, talvez, a Terceira Guerra Mundial.

E com base em meus sentimentos passei a me interrogar sobre o que é inveja.

Eu compreendi que pode ser simplesmente inveja, o potencial de uma pessoa mesmo que não seja necessariamente conquistas recentes: podemos invejar o seu bom humor, o seu olhar sobre o mundo e especialmente a sua maneira especial de ter este olhar, mesmo sem perceber.

Ali está também sua fraqueza, ela não sabe que é invejada, ela não percebe os golpes da espada.

Ela vê muito potencial e realizações em outras pessoas e não suspeita que dela parte uma inveja castradora e maledicente.

Como tenho que transformar chumbo em ouro, eu tento perceber o meu potencial latente e alcançar grandes coisas, às vezes, eu não tenho como suspeitar de mim, da minha inveja em relação às realizações das outras pessoas.

Podem ser coisas simples, apenas arrumar a sua casa com amor.

Com isso, dirijo-me a todas essas belas pessoas que gostam de mim e estão paralisadas economicamente e socialmente: fazer o quê?

Pois é: a grande maioria dos desempregados que mantenho contato são pessoas com enormes potencialidades reprimidas.

Desemprego existe é talvez exprimir-se é trabalhar no sentido que cada um tem a sua maneira de assim fazer uma atividade; e que trabalho como nós o conhecemos não é a única maneira de existir.

Tudo que você faz de maneira benévola, mesmo voluntariamente, mesmo para ti, podes colocá-lo em teu ‘curriculum vitae’.

Tu és uma micro-empresa.
 
(tradução livre do francês – comentário, feito em francês, de um ‘anônimo’ em um blog em língua espanhola escrito dia 3.10.2012, às 11:39 a.m. Obrigado, Augusto de Amorim, pela colaboração.)

 
Enquanto isso e as mudanças se demoram neste outubro de revoluções, penso em Joshua e Oleo, essa última gravada ali pelo meio do Relaxin' with the Miles Davis Quintet, com a certeza de que a vida deve seguir em frente.

sexta-feira, 18 de maio de 2012

Passando por Maio

It is impossible to discourage the real writers – they don’t give a damn what you say, they’re going to write.
Sinclair Lewis

Desde que li no blog do Vizinczey, sobre quem vou fazer uma resenha em breve, que você escreve em seu blog/facebook/etc., ou escreve seus livros, escolhi a segunda opção. Logo, perdi um pouco da urgência de postar coisa nova. Mesmo que este blog tenha ganhado alguns leitores na Espanha, depois que a Rosa Montero deu a dica no twitter, em passada por Lisboa, e – talvez eles suspeitem de alguma conspiração, vai saber – leitores na Russia. Alguns do Brasil, claro, mas jamais – jamais – deixam suas pegadas por aqui. Então para que se importar?

Mas decidi movimentar um pouquinho este sítio, nem que seja para dar algumas dicas musicais de Maio (até porque amanhã vamos ver o Perna tocar. Falando em guitarra, você tem que ouvir o Govan. Ou voltando ao jazz, recomendo esta pérola da composição de Wayne Shorter. E o nascimento do cool de Miles Davis. Aliás, foi vendo este trecho de sua biografia, que descobri Walkin, outra pérola, que tem a música Blue 'n' Boogie, que me fez perder horas preciosas que poderiam - e deveriam - ter sido dedicadas a literatura, sinal que não temos mais tempo a perder, e preciso ouvir menos música e escrever mais. Quer dizer, de alguma coisa vamos ter que abrir mão. Sempre. Do contrário, tenho certeza: teremos menos livros escritos no mundo.

Sigo trabalhando na segunda versão da história de Carol. De repente, qualquer hora, poste um trecho por aqui. Enquanto isso... aguarde novidades.

domingo, 22 de abril de 2012

A nova música do Rush e um pouco de Miles

Descobri agora.

A nova música do Rush, Headlong Flight.

O disco novo, Clockwork Angels, sai dia 12 de junho.

Como disse o baterista e professor André Gonzalez, quando eu tiver 60 anos espero ainda ter essa energia.

Sem esquecer a trilha desta segunda metade de abril, Miles ao vivo, com Herbie Hancock e a lenda Tony Williams (então com 19 anos) na bateria. Com uma das minhas preferidas, o mega-clássico Joshua.

Play it loud.

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

So What

Pois que 19 anos depois da primeira vez em que toquei ao vivo, hoje os tais Motivos de Força Maior me trouxeram inesperadamente de volta à Cidade-sorriso, uma semana antes que o esperado. Então revejo Rocky dizendo que o que importa não é o quanto se apanha, mas o quanto você consegue apanhar e seguir em frente, feito uma oração, e ouço Miles, o único capaz de traduzir o sentimento deste começo de semana, e de novos começos mais uma vez: So What, e a luta continua.

quinta-feira, 9 de junho de 2011

Primeiro post no new computer

Estas são as primeiras palavras que escrevo com computer, teclado e, principalmente, monitor novos. Depois de uns dias out of system, aproveito a quinta-feira (teoricamente o dia em que meus outros compromissos se aliviam) e estreio ferramenta nova. Para mim que escrevo – para você que me lê, sei que não faz muita diferença. Mas estou acostumando com digitar em um novo teclado (a velocidade vai voltando aos poucos, parece como reaprender a andar), e acostumando com a tela nítida e caracteres grandes, incrivelmente claros, depois de ver meu monitor, fiel companheiro por exatos 10 anos, agonizar meses a fio. Novos começos, não é mesmo? A vida tem que seguir em frente. Claro que agora vou – imagino – aumentar minha cobrança interna para produzir literatura. Aliás, tenho que reler alguns textos, polir, esculpir, reescrever. O mais difícil, como tudo, é começar. Mas começar é preciso, de algum modo. Como disse Stephen Koch, na frase de abertura de sua Oficina, “só existe uma maneira de começar: é começar agora”.

Pelo que ando lendo sobre Miles Davis e Dostoiévski, os caras eram extremamente dedicados. Quer dizer, os grandes sempre foram dedicados, independente da área. Miles ia na biblioteca e no museu pegar emprestadas partituras de Stravinsky e outros clássicos para aprender e estudar, coisa que muitos de seus ídolos jamais fizeram. Dostoiévsky foi leitor diligente, construindo seu talento com constância e disciplina ao longo dos anos (a frase do dia: “Quero escrever um romance, e não descansarei enquanto não conseguir”). E isso com contas batendo, fome, prisão, exílio fora e dentro de sua própria terra natal. Mesmo que tenham se passado anos, eles me ensinam a mesma coisa: continue resistindo, ignore as dificuldades, siga em frente. Se não fosse a sua perseverança, beirando o inabalável, eu não estaria divagando sobre sua obra em um fim de tarde em pleno outono de 2011.

Também vou poder estudar, agora com as aulas mais claras frente aos meus olhos. E tentar manter meu foco. E enquanto penso em como encerrar este texto, lembro de Coltrane, que fazia solos quilométricos quando estava na banda de Miles, e depois em sua carreira solo, justamente por não saber como encaixar e concluir a sequência de notas sobre as quais vinha improvisando. Mas como não sou Trane, é melhor ficar por aqui.

quinta-feira, 2 de junho de 2011

RIP completa 18 anos

Enquanto a presidente do complexo onde fica a Distant Thunders Corporation e minha progenitora foi dar uma bandinha para fugir do frio, e antes de fazer o chimas e começar a trabalhar em meu escritório, vi a maravilhosa neblina e o friozinho mágico de um outono típico da cidade-sorriso. Há exatos 18 anos, no mitológico ano de 1993, tive os dois primeiros períodos da quarta-feira de biologia, e a professora pediu um trabalho para a quinta. De tarde, lembrei de uma tia minha falando sobre um certo conhecido nosso, que tinha o passado muito sofrido, pelo menos na visão dela, e vi que ela falou aquilo com uma certa admiração pela superação dele, como quem diz “depois de tudo, ele ainda está aí”. Com aquela eterna história adolescente de precisar ser aceito, pensei eu mesmo em um amigo imaginário, que também tinha tido um passado turbulento, de muitos excessos, e hoje era um cara super certinho, que andava na linha, talvez como uma reparação a si mesmo e ao mundo. A história veio para mim tão pronta que decidi escrever no caderno. Nascia ali o personagem RIP, cuja autobiografia levei horas datilografando, então catando milho, tecla por tecla, quando ganhei minha primeira máquina de escrever, que tenho até hoje, minha Brother GX-6750. Tirei alguns xerox e dei para vários amigos, inclusive uma professora de literatura, dois anos depois. Mas naquele dia acabei não fazendo o trabalho de biologia, e rodei no fim do ano (por apenas dois décimos, então a história ficou meio mal contada). Mas isso não importa. Tenho o caderno onde escrevi a autobiografia do RIP até hoje, e carrego junto a vocação registrada nas linhas de um personagem com o qual escrevi mais dois extensos contos (um deles um calhamaço mandado por carta para vinte pessoas anos atrás). E segui escrevendo, e estou escrevendo em uma quinta-feira de manhã, 18 anos depois. Embora tenha feito, e esteja fazendo, outras coisas da vida, continuo produzindo literatura. A melhor maneira de virar gente grande mas sem perder o encanto é, de alguma forma, continuar resistindo. O RIP virou gente grande, e posso identificar traços dele em Pedro Revell e Carol, protagonistas das duas narrativas mais longas que escrevi até hoje.

Então aproveito minha rápida semana de home alone para mergulhar mais na cuidadosa tradução de Robertson Frizero para as Cartas de Dostoiévski, em edição de luxo, repletas de suas convicções sobre o fazer literário (ele diz gostar muito do trabalho de Pissemski, “um mestre em contar histórias”, mas acha lamentável ele escrever rápido demais, “muito rápido e em demasia. Um homem deve ter mais ambição, mais respeito por seu talento e ofício, e mais amor pela arte. (...) Os personagens colossais, criados pelos autores colossais, em geral nascem do trabalho demorado e persistente”).

Além disso, temos várias pautas para os próximos dias, como produzir o que faltou para o Laboratório de Autores, começar a rever a Sétima Temporada da série preferida deste blog, talvez começar de novo o Faulkner, talvez começar a ler o Kind of Blue (o livro, não o disco), estudar, escrever para as teachers (18 anos depois, me tornei um bom aluno, rá!), e mandar alguma contribuição para o Escritores Independentes, que foi criado a partir dos textos da oficina.

E vamos que vamos, que a hora é agora.

quarta-feira, 12 de maio de 2010

Mother Russia

No dia em que a proprietária da sede do Distantes Trovões on line e mãe deste que vos escreve está de aniver e foi comemorar conhecendo a outra Mãe, levanto cedo para escrever enquanto o dia nasce lá fora, os passarinhos cantam e a chuva continua.

Então já começo a enumerar a lista de coisas a serem feitas nos próximos 12 dias, antes que o telefone comece a tocar, a saber: rever a Quarta Temporada da série preferida deste blog, começar a leitura de O Livro dos Livros Perdidos de Stuart Kelly, escrever outro projeto para concorrer a uma bolsa – a luta continua –, ver Flight 666 do Iron “Gods” Maiden, seguir escrevendo o meu rebento e responder a carta da minha tchutchuka.

Mais tarde ouvirei pela primeira vez na íntegra o disco de jazz mais vendido de todos os tempos, uma trilha e tanto para dar a dica de leitura de hoje, os textos de meu comparsa Marcelo Martins.

Então para abrirmos os trabalhos, deixo aqui uma singela homenagem a minha mãe e ao meu camarada, guitarrista e colega musical de longa data Giuliano, Mother Russia tocada pela melhor banda do mundo.